Sabrina e o amor que a tornou campeã

Atualizado: Jul 24

O futebol feminino ainda é um esporte pouco valorizado no Brasil – país que se auto intitula ‘país do futebol’. E quando as meninas entram em campo sempre existe aquela desconfiança referente ao seu futebol, afinal de contas, para muitas pessoas o futebol feminino é apenas uma ‘diversão’ e não profissão.


A decisão de participar de um torneio masculino sub13 partiu do Centro Olímpico de São Paulo, sei que muitos leitores estão se indagando: “Porque um time feminino em uma competição masculina”? Pela simples razão de que não existem competições nesta faixa etária para times femininos, uma lástima, pois vários talentos são ‘perdidos’ pela falta de oportunidade.


Disputada no Juventus da Mooca a Copa Moleque Travesso, não apenas autorizou a participação do time do Centro Olímpico na competição, como também aceitaram a proposta do técnico Lucas Piccinato, colocar em campo um time um ano mais velho que os adversários. A equipe feminina não apenas foi campeã vencendo o São Paulo Piloto por 3 a 0, como deixou para trás times como Corinthians, Flamengo, Portuguesa e São Paulo.


Sabrina Leal não apenas disputou o torneio, como estava em campo na grande final. A adolescente de 13 anos, iniciou sua carreira aos 8 anos, no futsal e jogando ao lado dos meninos. Fã da Marta, a atual ponta esquerda do ADECO Centro Olímpico sub13, conta que sempre foi incentivada não apenas pela sua família, mas também pelos amigos e pelo técnico, que sempre busca o melhor para as jogadoras.


Mesmo na adolescência, Sabrina mostra maturidade de gente grande, e quando foi indagada sobre como enfrenta os preconceitos, a jogadora foi bem clara na sua resposta: “Acho normal as pessoas não aceitarem a derrota, ainda mais quando é contra um time feminino, cada um age de um jeito diferente e para esconder a frustração começam a atacar de formas grosseiras. Senti isso na 1ª fase quando perdemos para o time do Olímpia, depois ganhamos deles na semifinal. O Centro Olímpico nos dá toda a assistência com psicólogas, palestras... Independentemente de qualquer preconceito sou muito feliz fazendo o que amo”.


Dribles rápidos, bom passe e domínio de bola são características técnicas da jogadora que além de ter sido campeã da Copa Moleque Travesso, também conquistou o Circuito Clube Escola de São Paulo.


O sonho de ser jogadora surgiu após ganhar uma bola como presente de seu pai, e a oportunidade aconteceu quando Sabrina chegou ao Centro Olímpico. Uma das principais dificuldades que a jogadora enfrentou foi a falta de oportunidade de jogar, porém, nunca pensou em desistir da carreira.


O preconceito vivido na competição não desanima o sonho de Sabrina, que além de fazer o que ama, também tem o sonho olímpico. Não podemos deixar o futebol feminino morrer, temos e vemos jogadoras femininas arrasando em campos e esperando uma oportunidade para mostrar o seu futebol. Que possamos continuar sabendo da história de Sabrina e tantas outras meninas.

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