Respeito é bom e todo mundo gosta

Atualizado: 24 de Jul de 2020

No dia 13 de agosto, Ricardo Gomes voltou a comandar o São Paulo Futebol Clube, onde já havia passado em 2010. Com um desempenho irregular no Brasileirão 2016, o técnico é alvo de crítica por boa parte da torcida são-paulina. O problema principal não é ser alvo de crítica, é óbvio que ninguém gosta e quer ser, mas devido aos resultados é até “justificável”, uma vez que a metade das vitórias vieram nas últimas duas partidas do campeonato. Entretanto, o que realmente incomoda e entristece é a falta de respeito que existe com o comandante tricolor.

Foto: Gazeta Esportiva/Reprodução)

Há quem acredite, uma grande maioria, que no futebol tudo é permitido, mas não é bem assim! Após uma vitória diante do Fluminense por 2 a 1, o time são paulino enfrentou a Ponte Preta, e acabou vencendo a partida por 2 a 0. Apesar do time tricolor ter feito o primeiro gol, logo no início da partida –11 min, 1°T-, o jogo não foi tão fácil, o que resultou na insatisfação dos torcedores. No meio dos 49 mil torcedores presentes, havia alguns que se manifestavam criticando verbalmente o técnico tricolor, chamando-o de “sequelado”, e “AVC”.

Não foi a primeira vez que aconteceu, na 30º rodada do campeonato, o próprio assessor de imprensa do São Paulo, Felipe Espindola, se manifestou em uma rede social, dizendo:

Pensei, pensei, pensei e resolvi escrever. Por respeito. Respeito este que faltou, assim como um gol tricolor, no duelo entre São Paulo e Santos, na noite de ontem, no estádio do Pacaembu. Respeito pelo próximo. Respeito pelo ser humano. Respeito pela vida. Respeito aos valores. Respeito este que representa pra mim uma das formas mais básicas e essenciais. Seria desrespeitoso não me manifestar. Simplesmente não consigo. Principalmente por ter aprendido em casa, com minha família, o significado da palavra respeito. Ontem, no estádio, me chateou demais presenciar um revés do meu amado clube no clássico, ainda mais na situação em que o São Paulo se encontra. Mas confesso que acho que sai mais triste com o que presenciei durante algumas partes do jogo. Algumas pessoas, que não consigo e nem devo chamar de cidadãos, gritavam e protestavam contra o técnico Ricardo Gomes nas cadeiras do estádio. Legítimo, já que o time não vai bem, está numa zona incomoda da tabela, e perdia o clássico como mandante. Todos podem e têm o direito de ter sua opinião, discordar de algumas decisões, ter uma preferência técnica, etc. Mas pra mim não é aceitável, em nenhuma hipótese, uma ofensa ao estado de saúde do treinador. Ouvir gritos como “Fora, AVC”, “Morre, AVC”, “Sequelado”, machucam mais do que qualquer resultado em campo. Quais valores carrega uma pessoa capaz de falar uma coisa como essa? O que passa na cabeça de um ser humano como esse? Se é que isso é SER HUMANO. Penso, penso, penso e não consigo entender. Só espero que Deus possa abençoar essas pessoas para que elas não passem por um problema de saúde tão grave quanto esse, que já matou tantas pessoas, debilitou outras tantas, e aflige diversas famílias. Isso não é questão técnica e muito menos tática, é questão de valor. Valores esses bem maiores do que os marcados nos placares dos estádios.

Provavelmente, não foi a última vez também, então aqui vai um pedido para você, são paulino e torcedores de times adversários, não dê risada de uma situação como essa - porque sim, infelizmente há pessoas que acham engraçado – e não seja esse tipo de pessoa, por favor. Ficar entre a vida e a morte não é para qualquer um, muito menos voltar a fazer o que amava... Então antes de tudo, muito respeito com a pessoa Ricardo Gomes.

Breve relato do acidente:

UOL Esportes/Reprodução

Dia 28 de agosto de 2011, em uma partida válida pelo Campeonato Brasileiro, Vasco X Flamengo, a equipe vascaína comandada pelo técnico Ricardo Gomes, não esperava perder seu técnico devido a um AVC (acidente vascular cerebral).

Após passar mal durante a partida, Ricardo foi para o hospital, aonde teve que passar por uma cirurgia que durou cerca de 3 horas, além de ficar 21 dias internado,15 no CTI, e mais 6 no quarto. Após a dispensa médica, teve que fazer inúmeras sessões de fisioterapia, musculação e fonoaudiologia.

Retorno:

Quatro anos depois, em 2015, no final do mês de julho, o técnico voltou a comandar um time de futebol, o Botafogo. Porém, antes de voltar aos gramados, Ricardo exerceu a função de diretor técnico, no final de 2012, e diretor executivo de futebol, no Vasco da Gama. Em 2014, se afastou completamente, para focar em sua recuperação e voltar à sua paixão.

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