A história da refundação do Tricolor Paulista

Atualizado: 25 de Jul de 2020

Não é para qualquer torcedor, mas os são paulinos têm a alegria de comemorar dois aniversários do São Paulo Futebol Clube. Um a data de fundação, 25 de janeiro de 1930 e o outro, data de refundação, no dia 16 de dezembro de 1935. Ou seja, ontem foi comemorado os 81 anos da refundação do Tricolor Paulista que nasceu em berço de ouro, mas por problemas políticos, teve que renascer do zero.

O tricolor conquistou um Campeonato Paulista, em 1931, foi vice por quatro vezes (1930,1932, 1933 e 1934) e também foi vice no Torneio Rio São Paulo de 1933. A história vencedora já vinha sendo construída, até que... Em 1934 o clube foi extremamente prejudicado no Campeonato Brasileiro, pois não era federado com a CBD. Contudo, pouco tempo depois, os principais clubes da APEA, a federação estadual, abandonaram a entidade e fundaram uma nova liga, desta vez filiada à CBD – que os “conquistou” com rendas e promessas de amistosos internacionais. Esta mudança de rumos dividiu os são-paulinos. Muitos preferiam ver o fim do time a se associarem com a entidade que tanto prejudicou a equipe anteriormente. Mesmo assim, a filiação ocorreu! Isto, aliado a outras disputas internas decorrentes, levou a maioria dos 205 sócios fundadores a aprovar a fusão com o CR Tietê em 14 de maio de 1935.

Embora inativo dentro das quatro linhas entre maio e dezembro daquele ano, o Tricolor Paulista não havia abandonado o coração dos torcedores por um segundo sequer. Esses aficionados se concentraram em frente ao local anunciado com antecedência e, às 19h, grande multidão já aguardava a reunião que daria novos rumos ao Clube da Fé.

“A directoria do Grêmio Tricolor convida todos os srs. conselheiros e consócios para uma nova reunião a fim de tratar de assumptos do interesse geral que terá lugar hoje, ás 20 horas, na rua 11 de Agosto, 9-A.”

Vale notar nessas poucas linhas publicadas no jornal Correio de São Paulo do dia 16 de dezembro que convidaram os são-paulinos a se reunirem e a reerguerem o São Paulo Futebol Clube que, especificamente, não tratava da fundação ou refundação de associação alguma. Parecia, meramente, uma reunião normal sobre as atividades do Grêmio. O que demonstra, mais uma vez, a continuidade da entidade.

Às 20 horas teve início a assembleia mais intensa e emocionante da história do São Paulo. A sessão magna foi aberta pelo Tenente Porphyrio da Paz, cujas palavras de abertura fizeram vibrar a todos na casa. Terminado o discurso, o próprio Porphyrio foi indicado pelos colegas ali presentes a presidir os trabalhos da noite.

Entre exclamações e muita animação foram propostos o estudo e aprovação dos estatutos, trabalho esse que durou mais de duas horas. Aprovados que foram os mesmos, deu-se início então à eleição da Diretoria, que ficou assim constituída:

Presidente, Manoel Carmo Meca;

1º Vice-Presidente, Alcides Borges;

2º Vice-Presidente, Francisco Pereira Carneiro;

1º Secretário, Éolo Campos;

2º Secretário, Luiz Felipe Paula Lima;

1º Tesoureiro, Manoel Arruda Nascimento;

2º Tesoureiro, Izidoro Narvaes;

Diretor Geral de Esportes: Tenente Porphyrio da Paz.

Meca, o aclamado Presidente, não estava presente no início da assembleia em que foi honrado pois, justamente no dia anterior ao momento tão esperado por todos os são-paulinos, seu filho falecera. Ainda assim, sob luto, compareceu no decorrer da reunião e foi o primeiro signatário da ata que batizou o Tricolor.

A continuidade do clube é demonstrada, mais uma vez, no registro da própria ata datada de 16 de dezembro de 1935, quando o presidente Manoel Carmo Meca prometeu que "os membros da diretoria não mediriam sacrifícios para que o Pavilhão Tricolor voltasse a tremular glorioso nos campos esportivos do Brasil, elevando cada vez mais o nome do São Paulo Futebol Clube, cognominado o Esquadrão de Aço", apelido este concedido ao Tricolor pelo time de Friedenreich.

Por volta da meia-noite, debaixo de salva de palmas e urras de vivas ao Clube, a São Paulo e ao Brasil, foi finalizada a sessão que trouxe de volta ao mundo o time que futuramente se tornaria um bastião do futebol arte e da competitividade, refletidos na vasta gama de jogadores exemplares e de conquistas obtidas. E assim, renasceu o grande São Paulo Futebol Clube, time tão glorioso, digno de todas as suas conquistas. Novo, porém tão vencedor. Parabéns, Tricolor do Morumbi!

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