O consumidor do espetáculo de Futebol

Atualizado: Jan 4


Recentemente li uma matéria sobre um pequeno torcedor do Celtic que ligou para o call center do clube para se desculpar por não poder comparecer a uma partida devido ao aniversário de um amigo (leia aqui). A atitude me fez pensar sobre o nível do relacionamento que o clube desenvolve com seus torcedores, a ponto de ser capaz de despertar esse tipo de reação em uma criança. Há uma gritante diferença (ou uma delas) entre os clubes da Europa e do Brasil: a maneira como o torcedor é tratado.

Os programas de Sócio Torcedor ainda engatinham aqui por nossa terra. Em sua maioria, se restringem à cessão de descontos no valor do ingresso (o que vamos discutir em outra oportunidade) e aos descontos em empresas parceiras através do Movimento por um futebol melhor. Porém, isso não é o suficiente para a criação de uma relação maciça. É, aliás, muito pouco!

A era da informação deu passagem à era da experiência. As pessoas são o que fazem, o que vivem, o que experimentam. O torcedor quer ser tratado como parte de seu clube. É uma relação de consumo, apesar de essa ótica ainda ser recente dentro dos estudos de Marketing e Comportamento do Consumidor. Os clientes do futebol devem ser tratados como parte do espetáculo.

De que vale um time cheio de estrelas sem um show na arquibancada? De que vale um grande estádio sem seus torcedores, instrumentos, bandeiras e cantos? De que vale um gol sem o grito que explode na garganta do torcedor apaixonado? De que valem lindas camisas se não houver quem as ostente com orgulho de carregar o escudo do time no peito?

É a torcida que move um time. Que atrai patrocinadores. Que faz peso nas negociações das cotas de TV. Que adquire os materiais oficiais do clube, ingressos e cotas de sócio. Os programas ainda têm muito a crescer. O futebol moderno afastou grande parte do público do campo e derrubou o hábito do programa familiar e de lazer.

A dificuldade na compra dos ingressos e de acesso aos estádios; a violência presente em algumas situações e a explícita falta de segurança; a comodidade de se assistir aos jogos em outros lugares; os horários ruins; os preços altos. Parte é culpa desses fatores. A outra grande parte é do descaso com o consumidor e a falta de estímulo.

Embora o relacionamento do torcedor com seu time seja algo, em sua maioria, trazido desde a infância, ele precisa ser estimulado a consumir esta marca, transformando cada jogo em uma experiência única.

Temos hoje, no Brasil, 1.200.789 sócios de clubes. É muito pouco em uma população de mais de 200 milhões. Há um público imenso a ser explorado. Como disse Peter Drucker, devemos “entender o consumidor tão bem que o produto se volte a ele e se venda sozinho”. Quando isso se refere a relação time x torcedor deveria ser muito fácil pois essa relação envolve um caráter irracional: a paixão pelo futebol.

Não adianta reclamar dos estádios vazios, culpar a tecnologia pelo abandono ou o momento do país. É necessário mostrar, com ações, quem é a parte mais essencial e motivo de existência de um clube: a sua torcida!

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