Negócio da China

Atualizado: Jul 25

A expressão que significa "negócio que dá lucro extraordinário" tem se materializado crescentemente no futebol. A China, pouco expressiva no cenário do futebol mundial, deseja mudar essa situação, mas quer começar do modo mais fácil; contratando estrelas estrangeiras para compor seus times.

Em 2016, Antonio Conte, técnico do Chelsea, disse que “o mercado chinês é um perigo para o mundo da bola”. Certamente os torcedores corintianos e cruzeirenses concordam com a afirmação. Ambas as torcidas viram seus times serem dissolvidos após conquistarem o título nacional. O Cruzeiro, após o bicampeonato em 2013 e 2014, perdeu ao todo 10 jogadores, enquanto o Corinthians, após o hexa em 2015, perdeu 8.

Os dois times não demoraram a ver as consequências das transações com o mercado chinês. O clube mineiro flertou com a zona de rebaixamento nas duas últimas temporadas por diversas rodadas. Teve o segundo pior aproveitamento no 1º turno desde 2003 e, em 2015, terminou o campeonato somente em 8º lugar. O time paulista viveu situação parecida em 2016. Sofreu com eliminações precoces em competições, troca-troca de técnicos, viu os estádios cada vez mais vazios, as finanças sofrerem o impacto, e terminou o ano em 7º no Brasileirão.

Recentemente, diversos jogadores se transferiram para a China, sem conseguir recusar as irresistíveis ofertas. Marinho, que fez sucesso atuando pelo Vitória em 2016, é especulado no futebol chinês, mas Oscar, ex-Chelsea e Tevez, ex-Boca Juniors, já se transferiram. Os times chineses ainda assediaram muitos outros atletas, como Aubameyang, Diego Costa, Pepe e até mesmo Cristiano Ronaldo e Messi. Tudo isso levou o governo do país a cogitar limitar as contratações internacionais.

Apesar de tamanho investimento, o futebol no país mais populoso do mundo não cresce. Sua seleção nacional é apenas a 82ª no ranking da FIFA e os times ainda têm pouco ou nenhum reconhecimento fora da China. Nos jogos virtuais, rechear o elenco de estrelas é sempre divertido, porém, na vida real, é uma solução ineficiente. Investir no futebol local, nas categorias de base e no aumento do interesse da população pelo futebol sai mais barato do que fazer tantas contratações, e ainda é mais eficiente.

Além, é claro, de ser mais justo. O mercado chinês, fora de controle, desequilibra e prejudica o futebol ao redor do mundo, o que seria desastroso para torcedores, dirigentes e os próprios atletas.

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