Chefe é chefe, né, pai?

Atualizado: Jul 25

Os tímidos olhos azuis, a origem e o jeito calmo escondem uma personalidade carismática que conquistou rapidamente a torcida rubro-negra e os colegas de elenco. Federico Mancuello, argentino de 27 anos, foi a contratação mais cara do Flamengo em 2016, custando aos cofres do clube 12 milhões de reais.

O meia chegou ao Flamengo com a missão de incrementar o meio de campo, atuando na organização de jogo e na criação das jogadas, também sendo útil como volante – só que menos recuado, mais projetado ao ataque. E veio com moral; Mancu, como gosta de ser chamado, foi eleito em 2016 pela revista britânica World Soccer como um dos 500 jogadores mais importantes do futebol mundial, e saiu do Independiente da Argentina com status de ídolo.

Mancuello chegou a receber proposta da Europa, mas a admiração pela história do Flamengo e pela cidade do Rio facilitaram a tarefa do diretor de futebol Rodrigo Caetano de convencê-lo a optar pelo Mais Querido. O argentino se encantou com o time e rapidamente caiu na graça da torcida ao brincar com rivais do Flamengo. Aprendeu português, interagiu com os fãs pela internet até começou a gostar do funk carioca, dos quais o hit “Chefe é Chefe, Né Pai” é o seu favorito.

Seu primeiro jogo oficial pelo Flamengo foi no Campeonato Carioca de 2016, contra a Portuguesa. Teve uma boa atuação na goleada de 5 a 0, trabalhando bem no meio de campo com Wilian Arão e ainda deu uma assistência para Paolo Guerrero marcar o primeiro gol da partida.

Mancu participou de mais 5 jogos oficiais, dos quais teve envolvimento direto em 5 dos 11 gols marcados. Porém, sofreu no início de Março uma lesão que o manteve 41 dias longe dos gramados, um estiramento no ligamento do joelho direito. O gringo voltou aos campos em 9 de abril, contra o Boa Vista, e teve muito o que comemorar: marcou seu primeiro gol no Flamengo após linda cobrança de falta.

Os números mostram que o meia se tornou peça essencial no Flamengo de Muricy Ramalho, técnico da equipe na época. Antes de sua lesão, o time carioca apresentou aproveitamento de 85% nos últimos jogos. Sem o argentino em campo, o Fla somou apenas 4 vitórias em 14 jogos e teve um aproveitamento de apenas 42%.

Com a aposentadoria de Muricy por motivos de saúde, a chegada do técnico campeão da Copinha em 2016 Zé Ricardo e a vinda do também meia Alan Patrick para o Flamengo, Mancuello começou a perder espaço no time. Perdeu a titularidade e apesar da frustração, não deixou de se dedicar nas poucas oportunidades que recebia e nem de apoiar o time. Mesmo tendo sido titular somente em cerca de um terço dos jogos sob comando de Zé Ricardo, Mancuello continuou decisivo.

Em partida contra o Atlético PR em Agosto, o meia foi responsável pelo único gol do jogo, que levou o Flamengo à liderança do Brasileirão. Jogando contra o Cruzeiro na 27ª rodada do campeonato, o argentino ajudou o Flamengo a virar o jogo, marcando o segundo gol do time no confronto. E até chorou na hora de comemorar o gol.

O afastamento de Mancuello do time titular do Flamengo irritou a torcida, que questionou e pressionou o técnico incessantemente, principalmente após rumores de interesse de outros clubes no jogador. Em 2017, ele foi convocado para atuar como ponta direita. Estreou na nova posição na derrota do Fla para o Vila Nova no último sábado e se saiu bem. Fez bons cruzamentos e participou das jogadas com Guerrero e Diego.

A chegada de Rômulo e Conca no elenco pode afastar Mancuello da titularidade novamente, mas ainda é cedo para especular. O gringo com alma de carioca, leal ao Flamengo, tem crédito com os torcedores e deu razões suficientes para acreditarem que ele pode ser fundamental na evolução do time em 2017. Cabe à Zé Ricardo a tarefa de dar ao jogador a chance que ele tanto merece e que a torcida tanto pede.

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