Desabafo

Atualizado: Jul 25


Torcer vai muito além da festa durante os noventa minutos de partida. Lágrimas, orações, preocupação e revolta. Há quem ache bobagem seguir a semana mal humorada por causa do esporte, os “onze homens atrás de uma bola”, “aquilo que em nada vai mudar sua vida”, “não ganhará nada pela frustação”, dentre outras frases pedantes nas quais os verdadeiros apaixonados costumam ouvir. Mal sabem que o sentimento ultrapassa qualquer julgamento do tipo.

Acompanhar o clube do coração nem sempre é fácil. Ainda mais quando seu time não conquista um titulo há anos. Claro, não seguimos nosso bem querer meramente por taças, mas, são bem vindas. Ver seu time bem colocado, com atletas dispostos a jogar é muito bom. O problema é quando isso não acontece. Péssimo é perceber a falta de interesse daqueles nos quais depositamos expectativa falharem gravemente. Ora, a camisa tem peso nulo? Representar aquelas cores não significa nada? E a história do clube não é respeitada? Ou ao menos conhecida? Mesmo que a fase não seja boa, a situação financeira não esteja das melhores, por qual motivo então vai entrar em campo pra não cumprir com o combinado? Esquecem que pessoas se dispuseram a estar ali pra torcer e isso não é levado em conta?

O pior de tudo é ver a falta de técnica, fundamento e vontade. Não saber dominar uma bola ou cabecear. Zaga falha, meio de campo perdido e laterais que mal correm. Não, isso não é o que esperamos. Do que adianta usar belíssimas chuteiras coloridas, ostentar braços fechados de tatuagens, bigodes e cabelos bem aparados se faltar futebol? O mínimo de honra pra usar o uniforme e tentar fazer algo em campo. Do que adianta trabalharem o físico a semana toda se na hora do “vamos ver” nem de longe podem ser chamados de atletas? Não é apenas um jogo. E pelo jeito pensam o contrário.

Por isso vivemos da saudade. Dos tempos em que podíamos confiar plenamente naqueles homens no gramado. Tempos de glória, apesar das oscilações, pois existem e isso é normal. O que não podemos aceitar é fanfarrões que curtem baladas, festinhas e que não cumprem com seu papel. Estamos ali sempre, embaixo de sol escaldante, chuva, frio, com fome ou sede. Viajamos, compramos produtos oficiais e alentamos. Trabalhamos sem voz, voltamos cansados, mas com a sensação de dever cumprido. Pena que nossa expectativa não reflita a realidade. Pena que por mais que gritemos nossas vozes não alcançam (ou são ignoradas) os alvos em questão. E tem aqueles que se acham no direito de reclamar das cobranças dos torcedores. Perdemos esse direito. É nos empurrado goela abaixo um futebol medíocre e temos que aceitar. Não, nossos protestos jamais cessarão. Se não gosta, apenas abandone. Triste ver que o esporte bretão hoje fabrica esses tipos de jogadores. Garotos. Apenas garotos que não sabem a responsabilidade que aquele escudo traz.

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