Torcida única: solução ou retrocesso?

Atualizado: 25 de Jul de 2020


A polêmica em torno da possível obrigatoriedade de torcida única nos clássicos cariocas parece ainda não ter fim. Após o juiz Guilherme Schilling, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, aceitar a liminar de urgência que exige que os clássicos tenham apenas uma torcida, os dirigentes dos clubes e a FERJ se uniram em uma petição para tentarem a todo custo reverter a situação. A decisão final, divulgada na última quarta-feira, mudou os palcos das semifinais da Taça Guanabara e permitiu provisoriamente a presença das duas torcidas nos estádios pois a Polícia Militar não será capaz de garantir o policiamento por conta dos blocos de carnaval. A partida entre Flamengo e Vasco será disputada no estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda. Já a outra semifinal, entre Fluminense e Madureira, acontecerá em Xerém.

O motivo por trás do assunto é a crescente violência presente nas arquibancadas durante as partidas de futebol. No último clássico entre Botafogo e Flamengo, no estádio Nilton Santos, as brigas entre torcidas resultaram na morte de um torcedor do time alvinegro, além de vítimas que sofreram graves ferimentos. Segundo a liminar do Ministério Público, o homicídio foi o de número 177 nos últimos dezessete anos envolvendo crimes em estádios.

Na maioria dos casos de perigo nas arquibancadas, os envolvidos são membros de torcidas organizadas, o que faz com que muitos desistam de fazer parte do grupo. É o caso do torcedor vascaíno Henrique Ferreira de 19 anos, que frequentou partidas na Torcida Força Jovem do Vasco apenas por alguns meses. “Quando começou a ter confusão em todos os jogos e eles foram punidos, eu resolvi me distanciar. Hoje eu fico na barra brava, que é a Guerreiros do Almirante”, conta.

Entretanto, a posição das torcidas cariocas em relação à decisão de partidas com torcida única é totalmente contrária. Segundo o estudante João Eduardo Gurgel, de 19 anos, a medida seria um retrocesso para o futebol. “Infelizmente essa é a realidade do nosso futebol carioca, mas a gente deveria tentar se unir nos clássicos, igual se vê por aí com torcidas mistas”, afirma ele, que é torcedor do Fluminense. Além disso, muitos torcedores não veem a decisão como uma solução efetiva para o problema, como complementa o estudante Vinicius Souza, de 19 anos, que torce para o Botafogo. “Eu tenho certeza que não vai resolver nada. Eles tomam essa medida no intuito de educar e do torcedor ver o erro. Uma pessoa que vai pra criar baderna não se importa com o clube, então não tem como isso dar certo”, afirma.

A solução apontada nas ruas e nos estádios é a de reforçar a união entre os clubes em prol do espetáculo das partidas de futebol. Para o flamenguista Yuri Agahmenon, de 21 anos, a torcida exerce grande influência dentro dos estádios. “Eu acho que torcida é aquela que vai, apoia, canta, grita, chora e comparece. As pessoas estão perdendo a humanidade e o respeito pelas famílias que vão aos estádios. Elas não entendem que esse tipo de ato está apagando o que o futebol e a ida ao estádio representam”, disse ele.

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