Acima de tudo, amor ao clube: o movimento das barras nas arquibancadas do Rio

Atualizado: Jul 25

Estilo diferenciado, músicas cadenciadas, apoio incondicional durante os 90 minutos e, acima de tudo, o time em primeiro lugar. Essa é a essência das barras bravas, como são chamadas as torcidas com esse tipo de filosofia, que estão mais ganhando cada vez mais espaço nos estádios.

Originais dos países sul-americanos, as barras são conhecidas por sua característica de cantar e exaltar o time independente dos resultados da partida. O movimento, que chegou ao Brasil em 2001 no Rio Grande do Sul por influência dos países vizinhos, hoje está presente com força total nas arquibancadas cariocas e mobiliza milhares de torcedores fanáticos em prol do seu maior lema: o amor ao clube.

Com a sua chegada ao Rio de Janeiro apenas em 2006, época em que as arquibancadas já eram marcadas por graves questões de violência por conta da rivalidade existente entre os times de grande porte, essa nova forma de torcer influenciou fortemente na criação de uma postura mais pacífica dentro e fora dos estádios. Atualmente, existem diversas barras ao longo do estado, tendo como as mais ativas a Loucos pelo Botafogo, a Bravo 52, a Guerreiros do Almirante e a Nação 12.

Loucos Pelo Botafogo

A Loucos Pelo Botafogo, ou “LPB”, foi a primeira barra a ser criada em solo carioca. Através do número “22”, conhecido como número dos malucos, os torcedores representam o amor fanático e incondicional pelo time alvinegro e estão sempre presentes nas arquibancadas de forma bastante representativa. Influenciada esteticamente pelas barras originais, seus manifestos são expressados através de festa e espetáculos nos estádios. Segundo o diretor Fellipe Portella, de 25 anos, o estilo e os ritmos das músicas foram as únicas heranças trazidas das famosas barras de países como o Uruguai e a Argentina. “Músicas mais cadenciadas, não parar de cantar nunca, além do visual com bandeirinhas, faixas verticais, trapos e guarda-chuvas”, disse ele. Além disso, a Loucos procura manter uma relação harmoniosa com as barras de times rivais. “É preciso torcer, ter rivalidade, ser forte e saber conviver e dialogar por isso”, conta.

Bravo 52

Representante do time tricolor no movimento das barras, a Bravo 52 teve seu início em 2009 tendo como conceito principal a forma diferente de torcer. Hoje, é vista como a maior torcida do clube presente nos jogos, segundo o organizador Igor Mattos, de 24 anos. “O movimento está crescendo nas arquibancadas, mas temos total respeito às outras torcidas do nosso time. É uma nova maneira de torcer e isso já está conquistando espaço”, afirma. A razão principal da dedicação diária dos torcedores envolvidos é o amor incondicional ao Fluminense, sem qualquer tipo de cobrança ou vínculo financeiro com o clube. “Quando a gente ama uma pessoa, a gente não pede nada dela, apenas procura dar e mostrar o quanto a amamos. Com a gente é a mesma coisa, a gente não cobra e pede nada do clube, a gente faz isso por amor. Esse é o ideal da Bravo 52”, afirma.

Guerreiros do Almirante

A GDA, como é conhecida a barra do Vasco, hoje possui forte presença nas arquibancadas do São Januário e trouxe um sentido mais positivo aos espetáculos da torcida. Consideram-se uma barra apenas pelo estilo das músicas, que também são influenciadas por elementos da cultura carioca como o funk e o samba, mas não fazem questão de nomenclatura, segundo o estudante de turismo e líder Breno Batista, de 30 anos. “Pra mim, barra, movimento, coletivo, tudo é torcida. O movimento brasileiro se adequou desse nome barra brava, pra mim, de uma maneira errada, então a gente é apenas uma torcida com a filosofia diferente”, afirmou ele. A maior essência da Guerreiros do Almirante, assim como as outras, é o apoio durante a partida. “Cantar e apoiar o jogo inteiro, tocar o terror, ir pra cima, até protestar e cobrar vontade dos jogadores e de quem está dentro de campo. Acho que é uma mescla, vale tudo que é legal, tudo que é criativo. O importante é exaltar e não parar de apoiar e viver pelo clube".

Nação 12

Sendo a mais nova entre as barras, a Nação 12 foi criada com o intuito de propagar o amor à camisa do Flamengo e promover uma reinvenção nas torcidas, que se encontravam sem muito incentivo, chegando assim com um resgate das festas tradicionais, que eram marcadas pelo ritmo e pela estética. Segundo o geógrafo e diretor geral da barra Diego Lima da Silva, de 29 anos, o movimento é visto como uma boa tendência no Brasil. “Essa proposta renovadora na forma de torcer tende a se consolidar ainda mais pra que essa essência não seja perdida. Existe o caso das bandeirolas, por exemplo, que era algo corriqueiro nas arquibancadas e foi se perdendo, coisa que as barras recuperaram”, afirma ele. Também é possível perceber a forte inspiração no estilo de apoiar o clube independente do momento em que ele esteja na partida ou mesmo no campeonato que esteja disputando, além da questão de reforçar a paz. “É uma relação harmoniosa, onde existe uma grande amizade entre muitos integrantes que vai até mesmo para a vida pessoal. A gente prega, acima de tudo, a não violência”, conta.

Receba as novidades

do Futebol Por Elas

  • Facebook - Black Circle
  • Twitter - Black Circle
  • YouTube - Black Circle
  • Instagram - Black Circle