Arbitragem feminina no futebol masculino, por quê sim?


O esporte mais amado e aclamado do mundo já passou por uma série de mudanças, desde regras do jogo, nomes de equipes, uniformes, escudos, entre outras. Uma questão que é discutida, mas não com tanta veemência, é o que diz respeito às mulheres como árbitras em competições masculinas.

Dentro do futebol feminino, o que logicamente mais se vê são mulheres como árbitras e assistentes de arbitragem. Já no futebol masculino, o que uma mulher alcança, no máximo, é ser assistente e eu pergunto: por que isso ainda? Por que não podemos ver mulheres apitando partidas no futebol masculino? As perguntas em questão geram polêmicas. Há quem defenda que as mulheres devem sim apitar jogos dos homens, mas existe quem seja contra.

Para Aline Santiago (28), torcedora do Cruzeiro, as mulheres deveriam ter mais espaço dentro do futebol masculino. “Faltam oportunidades e apoio. Principalmente das pessoas relacionadas ao esporte como Federações, Associações e clubes”. Ela considera que a mulher não tem espaço, porque existe preconceito. Aline sugere o que mudaria como torcedora, para a inserção das mulheres árbitras no futebol masculino. “Como torcedora, tentaria incentivar as pessoas mais próximas a mim e tentar convencê-las que a mulher faz o diferencial”.

Os argumentos mais comuns usados para justificar que as mulheres não tem qualidade para arbitrar uma partida vão desde “Futebol não foi feito para mulheres” até do gênero “Deveria era pousar para uma revista masculina”. Não vou entrar na questão do machismo aqui, mas é evidente que isso é o que mais acontece quando se trata de mulheres inseridas no futebol.

A ex-bandeirinha Ana Paula De Oliveira é um exemplo de que erros durante um jogo lhe causaram sérias consequências. Ela anulou dois gols do Botafogo na partida da equipe carioca contra o Figueirense, em 2007, no Maracanã. A assistente foi bastante criticada por torcedores. Ela encerrou sua carreira de bandeirinha em 2012.

Infelizmente, não é somente no futebol que isso acontece. Em qualquer outra carreira, o preconceito é uma arma usada para evitar que uma mulher seja considerada competente para ocupar um cargo, como ser chefe de uma empresa. É uma informação polêmica? Sim. Porém, é a mais pura realidade. O que uma mulher não pode fazer é se amedrontar com isso. Ela deve seguir seus sonhos e se ser árbitra do futebol masculino é um deles, pode ser possível conquistá-lo. Isso claramente exige um esforço de todas as associações desportivas, federações e clubes. Não digo isso somente no futebol brasileiro, mas no mundo todo.

O estudante e torcedor do Vasco, Silas Dantas (23), considera que esse espaço do qual as mulheres lutam para ter e não conseguiram ainda se deve à uma série de fatores. “Há baixa divulgação e, consequente, baixa procura, falta de investimento dos cartolas e, principalmente, preconceito”. Silas ainda avalia que esta é uma situação que acontece no cenário da arbitragem nacional, incluindo os árbitros. “O principal caminho para a melhora da arbitragem é a profissionalização, tanto para a qualidade das nossas arbitragens quanto para inserção da mulher nesse cenário. Hoje, no Brasil, não existe apoio e o árbitro tem que dividir sua atividade com várias outras”.

O que me chama a atenção não somente na falta de inserção da mulher na arbitragem do futebol masculino é que no próprio futebol feminino existe uma limitação. Não existem muitas competições profissionais no Brasil, e isso também prejudica um melhor preparo para as mulheres no futebol feminino. Como dito antes e aqui quero enfatizar é, por que as associações, clubes e dirigentes preferem tampar o sol com a peneira, ao invés de se empenharem e trabalharem para que a realidade da arbitragem nacional incluindo homens e mulheres, tenham uma profissionalização adequada?

Você, torcedora e torcedor, pode me dizer o que para você falta para que as mulheres consigam apitar não somente no futebol feminino, mas no masculino? E o que você faria para mudar a dura realidade da arbitragem brasileira? O trabalho é longo e árduo, mas com a parceria de todas as associações esportivas, incluindo a Associação Nacional dos Árbitros de Futebol, jogadores, cartolas e também dos torcedores, essa realidade que o futebol nacional e mundial enfrenta hoje, pode ser mudada para melhor.

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