Madison Carvalho – o sotaque americano com alma brasileira


Desde muito cedo o futebol ganhou destaque na vida de Madison Carvalho, americana de Los Angeles, na Califórnia, de 20 anos de idade. Aos seis, a pequena Maddie, filha de mãe americana e pai brasileiro, já arriscava os primeiros chutes a gol, nos gramados do AYSO Westchester. As lesões decorrentes do forte estilo de jogo norte-americano impediram que a carreira como jogadora se prolongasse, mas nem por isso fizeram Madison se afastar do universo futebolístico. Os contratempos despertaram, ainda mais, a liderança da então jogadora. Descobriu-se treinadora, com ideais de respeitar suas futuras alunas e as características de aprendizado de cada uma delas.

No estado do Ceará, a mais de nove mil quilômetros de sua cidade natal, Madison sente-se em casa. O idioma futebol é mesmo universal. E são os diferentes “sotaques” que dão ao esporte propriedades tão íntimas de cada localidade que ela procura conhecer. Para disseminar os conhecimentos que já adquiriu sobre o esporte, e, acima de tudo, aprender ainda mais, Madison está fazendo um estágio como coach no Menina Olímpica, time sediado em Fortaleza, que detém o título de atual campeão feminino cearense.

Os dias em contato com os treinos em Fortaleza, aliados ao conhecimento prévio que já tinha acerca do futebol brasileiro, não deixam Madison titubear quando o assunto é a principal diferença entre os estilos de futebol praticados no Brasil e nos Estados Unidos. “A brasileira tem ginga!” – exclama. “Nos Estados Unidos, o treino é muito voltado à questão física, aqui não. Aqui, valoriza-se mais o talento, a parte técnica”, completa.

Além de repassar os fundamentos e estilos de jogo praticados em seu país natal, Madison pretende deixar um legado ainda maior para as atletas que participam do Menina Olímpica – a importância de se ter mulheres nesse ambiente ainda tão misógino. “Você só vê homens nesses cargos e pensa: 'Ah, isso é um trabalho para homens.' Mas não é. Eu quero mostrar para elas que isso é um trabalho possível, que há meninas em posições importantes, sim, e que elas vão conseguir também”, diz a jovem treinadora, com um misto de força e carisma que não a deixam negar a descendência brasileira que tem no sangue.


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