O meu porquê

Atualizado: Jul 25

O que me fez chegar até aqui? Qual o caminho que percorri para estar ao lado das pessoas que fazem parte do meu mundo? Será que todos eles entendem o mundo do qual participo? Onde um jogo é importante, onde um gol me faz chorar de emoção?

Tudo começou em 1993, quando vim ao mundo. Não sei ao certo qual era a preferência dos meus pais. Será que eles sempre sonharam com uma princesinha ou com um molequinho correndo igual louco pela casa? Nunca tive curiosidade em perguntar, criar paranóias pra quê? Desde a infância o futebol faz parte da minha vida. Antes mesmo de completar três anos, já estava puxando a orelha do meu pai, pedindo com todo amor do mundo para ele não gritar quando nosso time marcasse gol – afinal de contas, os gritos nesta época me assustavam. Os anos se passaram, e meu pai conta essa história orgulhoso.

Nasci no Rio Grande do Sul, estado conhecido por ter a rivalidade mais acirrada do país. Aqui no Sul, não importa em qual mês de gestação a mamãe está, as pessoas já indagam se vai vestir o manto tricolor ou colorado. Meu pai sempre me deixou à vontade para torcer pro time que quisesse, aliás, ele nem tinha o que reclamar se minha escolha fosse contrária, meu avô era colorado e todos os filhos foram para o lado azul da força.

Sempre fui uma pessoa emotiva, que chora com facilidade. Que se apega demais e que expressa com facilidade os sentimentos. No mundo em que vivemos, podem me colocar na caixinha de pessoas que ‘fazem papel de trouxa’. Mas qual pessoa nunca fez?

Na escola nunca sofri preconceito e não fui rotulada por gostar de assistir futebol e de torcer. Conheço histórias de conhecidas que sofreram preconceitos e que tiveram até a sua sexualidade colocada à prova por gostar do esporte. Até quando as pessoas vão entender que futebol não é um esporte exclusivo dos homens? Que este esporte também pertence a nós, mulheres? Até quando os homens vão nos intitular ‘maria chuteira’, ‘só gosta de futebol para ver homem correndo atrás de bola’.

Sei que muitos homens e também algumas mulheres têm o pensamento de que: mulher tem que ser feminina, mulher não pode falar palavrão, mulher não pode ir ao estádio desacompanhada. Como assim caralho? Cês tão ditando regra até pra quem pode ou não falar palavrão? Já namorei com um guri que tinha esse pensamento. Você é minha namorada, você NÃO pode gostar de futebol – porque eu não gosto, você NÃO pode falar palavrão porque isso é feio, você tem que ser feminina porque você é mulher. Mana, você que tá lendo esse texto e que pode estar passando por essa situação, não aceite. Sim, eu sei que é dureza ser apaixonada por alguém que mantém esses pensamentos machistas e atitudes tão antigas. Sei que também é difícil olharmos essa situação com olhos externos. Quem nunca se apaixonou por um babaca, não é mesmo?

São essas situações, com esses babacas e com as experiências que nos fizeram sofrer, chorar até soluçar e que nos transformam na pessoa que somos atualmente. Se continuei me apaixonando pelo futebol foram pelas pessoas e experiências que fazem parte do meu mundo. Mas existe um motivo, existe um porquê: meu time. É por ele que enfrento o mundo. São pelas suas cores, pela sua história. Pelos momentos de dificuldade que passamos, são pelas lutas que tivemos juntos. Era pra ser ‘apenas’ um time, mas o amor transformou... hoje ele é a resposta de todo o enigma.

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