Depressão: a resenha é séria

Atualizado: Jul 25

É muito comum atletas serem diagnosticados com depressão, ansiedade e outras doenças psicológicas. A pressão que carregam por terem objetivos a cumprir, a cobrança de seus técnicos /fãs/torcedores/patrocinadores/empresários, as lesões, os “altos e baixos” que há em todos os esportes, requerem um psicológico muito bem preparado para suportar tudo, porém, muitas vezes esses atletas não conseguem dar conta do “recado”.

Em uma pesquisa realizada e divulgada pelo Sindicato internacional dos Atletas, 26% dos jogadores em atividades afirmaram que sofrem de depressão e ansiedade, quando se trata de ex jogadores,este número é ainda maior, somando 39%. Os clubes de futebol ao longo dos anos passaram a dar uma atenção maior a saúde mental de seus atletas, porém, ainda não é o suficiente, isso porque há um “mundo” fora das quatro linhas do campo, existem pessoas confiando no seu trabalho e que por muitas vezes não compreendem que antes de atleta existe ali um ser humano.

É muito importante falarmos sobre isso, buscar conhecimento sobre essas doenças, ter sensibilidade de compreender e de não julgar o mal pelo qual o outro passa. A depressão torna-se muitas vezes uma porta para o suicídio.

Neste universo do futebol em que muitas vezes é palco de tantas alegrias, foi palco de tragédia no ano de 1918. A união do amor ao futebol ,da dor de sozinho não suportar perdas e mudanças das quais a vida apresentou-lhe e da incapacidade de se reerguer de uma depressão permitiu um destino triste e cruel a Abdón Porte. O jogador do Nacional do Uruguai, após a perda de dois irmãos e sabendo que se tornaria reserva no time, não sabendo lidar com as perdas e com o momento delicado em sua carreira, veio a cometer suicídio. A tragédia ocorreu dentro do Estádio Parque Central, onde ali brilhou em campo por tantas vezes, despediu-se de forma aterrorizante, desferindo um tiro contra seu coração.

Todos os dias pelo menos 32 brasileiros tiram a própria vida, resultado da falta de prevenção desta “loucura”. Este é um dado do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS) que causa espanto, mas retratam uma realidade de até 60% do número de suicídios nos últimos 45 anos em todo o mundo. Lembro que nas aulas de psicologia, uma cadeira básica e obrigatória do curso de jornalismo, meu professor citou que a maioria das pessoas já usou essas duas frases na vida: “Vontade de matar o fulano” ou “Que vontade de me matar”. Muitas vezes essas citações diretas são faladas da boca para fora, não que a pessoa vá fazer, porém, uma vez falada não pode voltar para dentro da boca. Assim em alguns casos elas são amadurecidas e colocadas em prática.

Há diversos esforços para levar conscientização sobre esse problema de saúde pública que é o suicídio. Somente por esse caminho com esclarecimento e o estímulo às pessoas falarem abertamente sobre a questão, é possível reduzir essas tristes estatísticas. Se você perceber que aquele amigo, familiar ou pessoa próxima está meio angustiada, mais calado, não custa nada perguntar e mostrar-se interessado pelo caso, talvez essa pessoa esteja precisando apenas conversar, e você poderá evitar algo mais grave no futuro.

Falar sobre o problema pode ser uma maneira bem simples de evitar que ele tome conta da pessoa que pensa em se suicidar. Mas como falar sobre um assunto que é tabu na nossa sociedade? Conversar sobre suicídio é preciso. Dessa forma, se estimula a sociedade a buscar soluções. O primeiro passo para a cura, é admitir que você está doente. É importante quebrar o preconceito, como uma pessoa que tem câncer e fica com vergonha do que a sociedade vai pensar dela sem cabelo, quando tem HIV e muitos quebram laços de amizade só pelo fato dela ter a doença que não tem cura e assim por diante.

Desde 2011, o Centro de Valorização a Vida, instituição filantrópica que se dedica à prevenção do suicídio e apoio emocional há 54 anos, organiza um simpósio internacional para discutir as melhores práticas para reduzir os índices de suicídio. Evento gratuito e aberto ao público, o simpósio já foi realizado em Guarulhos, São Paulo, Florianópolis, Brasília, Rio de Janeiro. No mesmo pensamento do Outubro Rosa e Novembro Azul, o objetivo é chamar a atenção das pessoas à problemática do suicídio e estimular a conversa sobre a questão.

Algumas perguntas ficam, quando um homem sofre uma série de males e, por isso, está desesperado. Sente um grande desprezo pela vida. Por amor a si mesmo, o homem pode encurtar a sua vida, suicidando-se? Será que a dor pode justificar o suicídio? A resposta é simples, por mais dolorosa que seja a sua vida, existe coisas boas nela também. O resultado de tudo isso é que sempre terá alguém que estará do seu lado, independente do momento que você esteja passado, Procure essa pessoa, ou se apegue em suas crenças e orações. Os problemas existem e quem não tem? Mas o amor que sentimos por nós mesmos deve ser maior que qualquer obstáculo que a vida nos dá.

E caso você não saiba, o Setembro Amarelo é o mês de prevenção do suicídio. E a conscientização conseguiu-se iluminar pontos turísticos e de destaque em todas as regiões do país, como o Cristo Redentor no Rio de Janeiro, o Congresso Nacional e a Ponte Juscelino Kubitschek em Brasília, o estádio Beira Rio em Porto Alegre, a Catedral e o Paço Municipal de Fortaleza, o Palácio Campo das Princesas em Recife e a Ponte Anita Garibaldi em Laguna (SC).

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