Não há lugar como nossa casa

Atualizado: Jul 25

Foi a forte relação de amor entre os vascaínos e o Vasco da Gama que fez surgir, há 90 anos, o Estádio de São Januário. E há mais realidade do que metáfora nessa afirmação. A construção do estádio só se tornou possível graças à arrecadação dos torcedores para arcar com os custos da compra do terreno e das obras. A ideia de se ter um estádio próprio surgiu em um período em que o clube era extremamente engajado na luta contra o racismo no futebol.

O Vasco, com jogadores negros e de origem humilde, foi campeão carioca em 1923. Em resposta, os clubes de elite fundaram a própria liga, a Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (AMEA), cujas condições para a entrada de outros times eram preconceituosas. O próprio Vasco teria que abrir mão de 12 jogadores para ser aceito na AMEA, porém, recusou a oferta. Seu sucesso contínuo foi responsável pela mudança de postura da AMEA, que aceitou o clube na associação em 1925, e a construção de um estádio próprio, uma confirmação de sua autonomia.

O jogo inaugural do até então maior estádio da América foi em 21 de Abril de 1927, contra o Santos. O Vasco acabou perdendo para o time paulista de 5 a 3, mas no fundo, a derrota não importou muito. O orgulho e o sentimento de ter um cantinho para chamar de seu eram muito maiores e até hoje mexem com o coração de todo vascaíno. Também, pudera, quantos momentos bons os alvinegros viveram naquele caldeirão!

Em 1947, São Januário foi palco da maior goleada da história do estádio, quando o Vasco venceu o niteroiense Canto do Rio por 14 a 1. Em 49, conquistou o título carioca vencendo o Flamengo de virada por 5 a 2. Em 82, foi lá onde Roberto Dinamite marcou o 500º gol de sua carreira, contra o Volta Redonda. Em 98, venceu o Barcelona do Equador com 2 gols na final da Libertadores, o primeiro passo na conquista do título continental. Em 2000, foi no caldeirão que o Gigante da Colina venceu o Palmeiras no jogo de ida da final da Copa Mercosul. Em 2007, as arquibancadas alvinegras tremeram quando Romário marcou, de pênalti, o seu gol de número 1000, em cima do Sport.

Ainda faltaria espaço para falar de todos os momentos de alegria que o Vasco vivenciou em São Januário. Aliás, como canta a sua torcida, a glória do clube é a sua história, e é praticamente impossível separá-la do icônico estádio. Mesmo mandando jogos em outros estádios maiores, principalmente o Maracanã, é em São Janú que o vascaíno se sente ele mesmo, aquela boa sensação de estar em seu lar, seu lugar de direito. A marcante frase “não há lugar como nossa casa”, do filme O Mágico de Oz (1939) nunca fez tanto sentido.

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