Os limites da rivalidade

Atualizado: Jul 25

Sim, a rivalidade faz parte do futebol. Você tem o direito de gostar mais de um time e não querer ver seu rival vencendo mais do que você ou, principalmente, vencendo você. Se um clube tem mais rebaixamentos do que o seu ou menos títulos, você vai zoar. Jogar na cara. Esfregar até o cara desistir de discutir. Se ele estiver em uma competição internacional, não importa se ele representa o Brasil. Se não é seu time representando, não deve ganhar.

Muito gremista não toma Coca-Cola se a latinha for a vermelha. No Bahia não se fala a palavra Vitória e sim triunfo. No Campinense não se fala a palavra Treze e sim 12+1. O cearense que torce pro Fortaleza não diz que é do Ceará, e o cara que torce pro Ceará diz que mora na capital e não em Fortaleza. O palmeirense não diz Fiel e sim leal. O torcedor do Baraúnas-RN não diz que é Potiguar, diz que é Norte Rio Grandense.

Uma vez fiz uma festa inteira com o tema do meu time. Um amigo meu, que torce pelo maior rival, não bebeu e não comeu nada porque se recusou a tocar no escudo. Achei engraçado porque é algo que é movido pela paixão e isso não se discute.

Só que, têm horas, que essa rivalidade passa de qualquer limite, como aconteceu no último domingo (23), na final do segundo turno do Catarinense entre Criciúma e Chapecoense, onde a Chape foi campeã. Após a partida, alguns torcedores da torcida organizada do Tigre gritaram "ão ão ão abastece o avião", em alusão à TRAGÉDIA que matou 71 pessoas na Colômbia.

Amigo, deixa eu te explicar uma coisa: a gente sabe que não é só futebol. E não é MESMO! Mas não importa o motivo, o lugar, o esporte, você NUNCA pode zoar o coleguinha por conta de alguma (ou 71) morte(s). Você passou de todo e qualquer limite e isso, NEM DE LONGE, é rivalidade. Isso é maldade. Má índole. Uma covardia.

Outros casos:

Ainda no início desse mês, torcedores do Porto usaram a tragédia com a Chape para provocar a torcida do Benfica em um jogo de handebol. Os gritos eram: "Quem dera se o avião da Chapecoense fosse do Benfica".

Outro canto que já viralizou em qualquer Flamengo x Vasco é o do clube cruzmaltino em alusão à queda de 82 rubro-negros da arquibancada do Maracanã:

Coitadinha da Raça, a Raça do Urubu tentou voar do Maraca legal, e caiu na geral"

Pelo lado rubro-negro, dias após à trágica morte do atacante Denner, do Vasco, em um acidente de carro, o Flamengo cantou: “Ei, você aí, o Denner já morreu, só falta o Valdir”! Esses são só exemplos de "rivalidades" que passam de todos os limites e que devem ser abominadas sempre. Por mais bom senso na hora de torcer e até mesmo quando for secar o rival!

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