Limites para a rivalidade: precisamos falar sobre Libertadores

Atualizado: Jul 25

Nervos à flor da pele, tensão dentro de campo, arquibancadas enlouquecidas e sentimentos que vão muito além dos 90 minutos. Não tem jeito, futebol da América do Sul é assim. Torcedor latino-americano que se preze idolotra, venera e vive intensamente a competição mais importante do continente: a Libertadores da América. Conhecida por mobilizar multidões e reunir os melhores clubes locais, a Libertadores é marcada por uma forte questão de rivalidade desde os seus primórdios. Porém, até que ponto isso pode ir?

As naturais provocações futebolísticas entre jogadores certas vezes podem passar dos limites. É o caso do confronto entre Peñarol e Palmeiras pela fase de grupos da Libertadores, na última noite, que serve de exemplo a não ser seguido e aprendizado para partidas futuras. Na casa do adversário, o Estádio Campeón del Siglo, em Montevidéu, o Palmeiras iniciou a noite perdendo, mas conquistou a virada de 3 x 2 sobre o time anfitrião, em uma atuação brilhante de todo o elenco alviverde.

Após o termino, jogadores do Peñarol iniciaram uma discussão ainda dentro de campo, que rapidamente evoluiu para uma confusão generalizada entre adversários. Alguns jogadores do time da casa tentaram cercar o elenco palmeirense, que não se intimidou e tentou revidar. O volante Felipe Melo, do Palmeiras, não se conteve e acertou o rosto de um jogador uruguaio, que, segundo ele, lhe provocava. Além disso, o goleiro Fernando Prass foi um dos atingidos pelos rivais. O time afetado tentou se retirar do campo, mas os acessos aos vestiários foram fechados e os jogadores tiveram que ser contidos por policiais presentes no estádio. A confusão tomou uma proporção tão extrema que chegou a influenciar os torcedores presentes na arquibancada, envolvendo brigas, xingamentos e arremessos de objetos sobre as grades de proteção.

Posteriormente, jogadores do Palmeiras se manifestaram nas redes sociais e tentaram tranquilizar a torcida brasileira, como foi o caso de Fernando Prass, que fez questão de postar uma foto ao lado de outros colegas de clube com a mensagem "Tudo bem por aqui e feliz com a vitória", em sua conta numa rede social. Além disso, o técnico Eduardo Baptista concedeu uma entrevista coletiva lamentando o acontecido e questionando os motivos. "Poderia acontecer uma coisa ainda pior. Lamentável. A gente veio para jogar futebol. Peñarol foi melhor no primeiro, e nós melhor do segundo. Infelizmente a equipe do Peñarol não quis assim", disse. A situação envolvendo os dois clubes ainda será avaliada pela Conmebol, responsável pelo torneio.

As provocações entre rivais fazem parte do mundo esportivo e se fazem presentes dentro e fora dos estádios e em todas as competições, não só a Libertadores. Contudo, é preciso discutir, debater e questionar a cada dia os limites necessários para que se tenha uma convivência em paz entre clubes, jogadores e torcidas. O espetáculo sadio precisa ser mantido e, acima de tudo, construído a cada jogo. Situações como essa, que muitas vezes passam despercebidas dentro e fora de campo, não representam o verdadeiro universo do futebol.

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