Os Mágicos Magiares

Atualizado: Ago 24

Quem vê a seleção da Hungria hoje talvez nem faça ideia de seu passado glorioso. Sua última participação em competições – na Eurocopa de 2016, onde foi eliminada pela Bélgica nas oitavas – nem de longe faz jus ao Time de Ouro que brilhou no futebol mundial na década de 50 e venceu grandes seleções como a Inglaterra, o Brasil e Uruguai, atual campeã naquela época.


A seleção húngara despontou no cenário futebolístico em 1952, ano em que ocorreram os Jogos Olímpicos de Helsinque, na Finlândia. Liderados pelo técnico húngaro Gusztáv Sebes, o time era formado por jogadores como Kocsis , Czibor, Bozsik, Hidegkuti e principalmente Ferenc Puskás e apresentavam um futebol diferenciado, com um time dinâmico e forte fisicamente, em uma época em que os esquemas táticos e a preparação física não tinham a mesma valorização que têm hoje. As inovações logo deram frutos; a Hungria venceu a Romênia e a Itália na fase de grupos e no mata-mata, derrotou as seleções da Turquia, da Suécia e finalmente a Iugoslávia, para sagrar-se campeã olímpica.


Dentro de campo, os Poderosos Magiares faziam pouco caso das seleções com mais renome. 1 ano antes da Copa do Mundo na Suíça, em 53, a equipe enfrentou a Inglaterra, em um amistoso no estádio de Wembley. A Inglaterra, “mãe do futebol”, não perdia um jogo em casa desde 1901. Até aquela partida. Naquele dia, mais de 100 mil espectadores viram a ascendente Hungria massacrar a Inglaterra por 6 a 3 no que é considerado até hoje como A Partida do Século.


A vitória em terras britânicas deu ao time da Hungria a motivação que precisava para a Copa do Mundo no ano seguinte. Invencível desde 1950, classificar-se para as fases seguintes do torneio não foi nada difícil. Nas quartas de final, a seleção húngara enfrentou o Brasil de Nilton Santos, Bauer e Djalma Santos em uma partida violenta, onde sobraram cartões vermelhos, mas levaram a melhor. Na semifinal, a Hungria venceu o Uruguai, classificando-se para a final contra a Alemanha Ocidental. O time era o favorito ao título, e chegou a iniciar a partida na frente, marcando os 2 primeiros gols, mas debaixo de muita chuva, viu a Alemanha virar o jogo e levar o título mundial.


A derrota na final da Copa de 54 não só abalou os ânimos da Hungria, como também pôs fim a uma vitoriosa era de 4 anos de invencibilidade. Nos anos seguintes, a seleção húngara não foi mais a mesma, e em 1956, sofreu com a perda de seus ídolos, Zoltán Czibor, Sándor Kocsis e Ferenc Puskás, exilados na Espanha devido a Revolução Húngara e os conflitos gerados pelo governo comunista. A Hungria chegou a ganhar mais duas medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de 64 e 68, mas o time já não era o mesmo que havia brilhado na década de 50. Mesmo que a reputação da seleção hoje já não seja mais a mesma daquela época, a sua importância para a construção do futebol moderno é imensa. Mais de meio século depois, o Time de Ouro ainda reluz na história do esporte.

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