Nos anos 70, o Rio era verde, branco e grená

Atualizado: Jul 25

De história, o futebol carioca está bem representado. Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo protagonizam no cenário esportivo do Rio de Janeiro há muito tempo e têm a sua contribuição para a popularização do futebol no Brasil, no início do século XX. Cada time foi dominante em certos períodos do século passado e assim é até hoje, porém, na década de 70, especificamente em 75 e 76, o Rio se tornou o trono do Fluminense, que viu os maiores rivais curvarem-se diante do clube e de um elenco de ponta.

Grandes jogadores como Rivelino, Paulo César Cajú, Rodrigues Neto, Carlos Alberto Torres, Gil e Abel Braga – este, atual técnico do clube – compunham o elenco chamado de Máquina Tricolor, que escreveu uma das páginas mais bonitas e vitoriosas do clube das Laranjeiras nos anos 70. Quem deu o pontapé inicial na formação de um dos escretes mais brilhantes da história do futebol carioca foi o presidente Francisco Horta. Graças aos investimentos do cartola, o Flu adquiriu ainda mais importância nacional e peitou, com coragem, diversos times pelo mundo.

A jornada começou com uma vitória sobre o Corinthians, em um amistoso. O time paulista, ex-clube de Rivelino, perdeu de 4 a 1 para o Fluminense. A famosa “lei do ex” prevaleceu na partida, já que foi dos pés do craque que saíram 3 dos 4 gols marcados pelo tricolor carioca. Esse foi apenas o começo. O Campeonato Carioca seria o próximo objetivo traçado pelo time. O estadual de 1975 ocorreu em moldes diferentes do que acontece hoje: era disputado em três turnos, a Taça Guanabara, a Taça Augusto Pereira da Motta e a Taça Danilo Leal Carneiro, vencidas respectivamente por Fluminense, Botafogo e Vasco. Apesar de serem adversários competitivos, a Máquina Tricolor passou por cima dos rivais na busca do título carioca. Venceu o Vasco por 4x1, o Botafogo por 2x0 e, no terceiro jogo, contra o mesmo Botafogo, sagrou-se campeão apesar de ter perdido por 1 a 0 para o alvinegro.

Conquistar o Rio era pouco. O time de guerreiros queria mais. E foram. Em meados de 75, o Fluminense se preparou para enfrentar em um amistoso o todo-poderoso Bayern de Munique. Motivos de sobra para se intimidar o carioca tinha: além de ser a base da Seleção Alemã campeã da Copa de 74, lar de craques como Beckenbauer, Gerd Müller e Kapellmann, o time bávaro ainda havia sido, recentemente, bicampeão europeu. Para colocar medo. Pelo menos, não na Máquina Tricolor. Jogando em casa, em um Maracanã lotado como um caldeirão, o tricolor lutou e se impôs diante do rival, sem deixar se abater pelo seu tamanho. O Bayern segurou o adversário brasileiro como pôde, mas desmoronou de dentro para fora: o grande Gerd Müller marcou um gol contra, o único do jogo, mas suficiente para que o Fluminense se saísse vencedor.

O ano só não terminou perfeito para os Guerreiros porque o time não conseguiu alcançar o campeonato brasileiro. Nadou, nadou e morreu na praia, na semifinal, caindo diante do Inter. Porém, o resultado negativo não foi suficiente para conseguir parar a Máquina Tricolor, que no ano seguinte, em 1976, surgiu renovada e mais forte. Foi a partir desse ano que o clube começou a contar com a presença de Carlos Alberto Torres em seu elenco. E o Fluminense partiu do Brasil novamente, destinado a brilhar não só em sua terra natal, mas no mundo. O time das Laranjeiras foi campeão do Torneio de Paris daquele ano, tendo derrotado a forte Seleção Europeia e o time da casa, o Paris Saint German. O Fluzão também trouxe consigo para o Rio a Copa Viña del Mar, realizada no Chile.

Como diz o ditado, o bom filho à casa torna. E assim fez o Fluminense. Já em solo carioca, mais uma vez, passou por cima dos adversários locais. Se a campanha em 75 foi boa, a de 76 foi muito mais: foram 32 jogos disputados, dos quais o tricolor somou 23 vitórias, empatou 7 e sofreu apenas 2 derrotas. O time fez uma campanha consistente, goleando outros times como o Goytacaz e o Botafogo. Chegou na fase final do torneio após vencer o América e empatar com o Botafogo e com o Vasco. A final foi contra o cruz-maltino de Roberto Dinamite, que não foi páreo para o dream team tricolor. O Fluminense venceu o rival com gol de Doval e sagrou-se bicampeão carioca diante de mais de 100 mil espectadores, os quais entoavam cheios de gás: “É covardia! É covardia! Com Paulo César, Rivellino e companhia!”.

Para coroar uma fase tão brilhante, ficou faltando o título nacional, que não chegou. O Fluminense foi, mais uma vez, eliminado na semifinal do Campeonato Brasileiro; só que dessa vez, pelo Corinthians. Diferente daquele confronto no início de 75, quem saiu na frente foi o clube paulista, que conseguiu arrancar um empate e depois vencer nas cobranças de pênalti diante de mais de 70 mil corintianos no Maracanã. Foi o ato final do elenco mágico. Nos dois anos seguintes, a grandiosa Máquina Tricolor foi se desfazendo, até ficar viva somente nas lembranças dos torcedores, que preservam com muita admiração uma das mais belas páginas da história do seu clube, tantas vezes campeão.

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