Descontrole Feminino: a presença das mulheres na barra rubro-negra


Paixão nacional e considerado o “Mais Querido” pelos seus fiéis seguidores, o Flamengo é o time do coração de mais de 40 milhões de torcedores ao redor do mundo. Nesse número, é possível encontrar indivíduos de diferentes classes sociais, raças, religiões, orientações sexuais e políticas, etnias e nacionalidades. Sempre disposta a apoiar o clube, a torcida rubro-negra conta com uma presença expressiva de torcedores nos estádios, incluindo um grande número de mulheres nas arquibancadas. Ao contrário de muitas opiniões antiquadas do senso comum, a inserção do sexo feminino no mundo do futebol é cada vez maior.

Esse espaço promove cada vez mais o crescimento de movimentos femininos em meio às torcidas do rubro-negro. O “Descontrole Feminino", formado por participantes da Nação 12, a barra do Flamengo, surgiu desde meados de 2013 a partir do aparecimento das primeiras meninas na torcida. Hoje, o movimento possui expressão e conta com aproximadamente 30 mulheres no total. Além de estarem nos jogos em estádios no Rio de Janeiro, elas participam de caravanas e viagens para seguirem o clube onde quer que ele esteja, reforçando o seu maior lema: estarem sempre presentes.

Com o intuito de fazer a diferença por onde passam, as meninas apresentam uma postura ativa dentro da torcida. Segundo a maquiadora Ana Furtado, de 22 anos, o movimento foi surgindo em consequência do crescimento da própria Nação 12. “O meu foco sempre foi o feminino. É mais fácil receber as mulheres que estão querendo fazer parte da N12. É muito mais que um ato político e de resistência, é mostrar que estamos ali”, disse ela, que frequenta a torcida desde 2013. Atualmente, a torcedora conta que ajuda fazendo filmagens dos jogos para o canal do Youtube, levando os trapos para os jogos de fora e torcendo no estádio, já tendo estado presente nas arquibancadas de lugares como Salvador, Porto Alegre, Curitiba, Recife, São Paulo, Cariacica e Santiago (Chile). A motivação é, acima de tudo, o apoio ao clube. “O Flamengo é a minha alegria”, disse.

Apesar das situações de machismo, que eventualmente acontecem, as meninas do movimento não se deixam abalar e apostam na união em prol de seus ideais. A estudante de direito Ana Carolina, de 19 anos, conta que a busca pela igualdade na arquibancada resultou em uma ótima relação entre todos os integrantes da torcida. “Sobre a liderança da N12, não temos do que nos queixar, eles sempre nos apoiam em tudo, aceitam nossas propostas e, quando necessário, interferem. Com as meninas novas, o nosso intuito é sempre acolher da melhor forma e mostrar que queremos ser amigas, que juntas somos mais fortes”, relata a torcedora. Presente na torcida desde 2014, ela diz que o movimento vai muito além do estádio e conta também com ações sociais, como distribuição de lanches e chocolates para crianças na Páscoa, por exemplo. “Não é só futebol e nunca será. O trabalho é desgastante, mas ao mesmo tempo, é gratificante quando você vê o crescimento da torcida”. Além disso, ela diz se sentir agradecida por fazer parte do movimento e que apesar de possíveis críticas, nunca desistirá do que sente pelo clube. “O Flamengo é meu maior amor, tão fundamental quanto o ar que eu respiro. Me remete a coisas boas, me trouxe pessoas maravilhosas. Só sinto gratidão”.

A presença feminina na arquibancada é de grande relevância e mostra a igualdade que a mulher pode ter num ambiente considerado majoritariamente masculino pela sociedade. A assistente fiscal Juliana Oggione, de 26 anos, está presente na Nação 12 desde o início do feminino, sendo uma das primeiras meninas a participar da torcida, e diz que percebe o quanto o movimento faz a diferença. “Ter um feminino na arquibancada mostra que mulher pode gostar de futebol, acompanhar seu time de perto e entender do esporte. Mostra a força da mulher, e que não existe isso de que futebol é só coisa de homem. Estamos todos ali por um ideal comum, independente de gênero”, relata. Além disso, ela reforça que a intenção do grupo, acima de tudo, é enaltecer o amor incondicional ao clube. “Estamos ali pelo Flamengo, acima de tudo. Ele é o nosso propósito, independente do resultado. E pra todo lugar que eu vou, levo o nome da torcida. O Flamengo é meu modo de vida, minha religião, meu amor”.

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