Segunda geração dos "Meninos da Vila" na conquista do Brasileirão 2002

Atualizado: Jul 25

A eliminação do Santos em 2001 foi uma das responsáveis pelo início da formação do time campeão do Brasileirão de 2002. Na dor de mais uma derrota foi decidida a mudança radical nos investimentos do Peixe. Retomar a tradição dos Meninos da Vila era mais do que necessário, e a única saída. E sem dúvida essa geração encantou não só os torcedores santistas, mas todos os amantes de futebol naquela época.

TRAJETÓRIA DA CONQUISTA DO CAMPEONATO BRASILEIRO DE 2002

A busca incessante por conquistas relevantes, fez com que a diretoria fizesse loucuras. Marcelinho Carioca, Edmundo e Rincón, entre tantos atletas renomados, jogaram no time do Santos de 2000 e 2001. Investimento pesado e esses jogadores não deixaram saudade. A esperança do presidente Marcelo Teixeira de ver o time levantando uma taça foi embora tão rápido quanto o dinheiro do clube. Eram tempos difíceis, a crise não tinha fim e tudo parecia ir de mal a pior. Sem estrutura e dinheiro, o jeito era apostar na molecada. Mas isso só foi possível graças à contribuição de Celso Roth.

Após avaliar as jovens promessas na Copa São Paulo de Futebol Junior de 2002, a comissão técnica de Roth promoveu a equipe principal os jogadores Leandro (lateral-esquerdo), Wellington (meia), William (atacante), Douglas (atacante), Diego (meia) e Robinho, que havia sido reserva de William, na Copinha sub-20, precisou do apoio do eterno capitão Zito, que era coordenador das categorias de base, e foi insiste para a integração daquele menino franzino.

Com a molecada junto com poucos remanescentes do time de medalhões, mais alguns reforços, Roth tinha seu elenco para a temporada. O planejamento era de colher frutos só em 2003, em vista da juventude do elenco. Porém, as eliminações precoces e decepcionantes diante do Inter na Copa do Brasil e ainda na primeira fase do Rio-São Paulo abriram um buraco no calendário santista. Com isso e a folga forçada em virtude da Copa do Mundo, a equipe ficaria três meses parada. Era hora de conter despesas e Marcelo Teixeira não queria pagar os altos salários de Roth “atoa” e, em consenso o treinador foi demitido. Com esse cenário desmotivador é contratado o técnico Emerson Leão. O treinador consegue implantar sua filosofia com os meninos, os jovens Diego e Robinho ganham espaço e Elano que estava para ser dispensado, fica a pedido de Leão. O treinador também pede a contratação do zagueiro Alex, que estava em período de testes.

Aproveitando-se da amizade com Carlos Alberto Parreira, Leão marcou um amistoso contra o arquirival Corinthians. Sua única exigência era de que a partida fosse na Vila Belmiro, para ver o comportamento dos garotos - não só os formados na Vila, mas como os recém-contratados Elano e Renato. Nesse amistoso, o Santos venceu por 3 a 1, e os jogadores perceberam que poderiam fazer frente aos outros times. Dali em diante, os Meninos da Vila ganharam confiança e iniciaram a campanha que foi relevante no Campeonato Brasileiro, se classificando com a última vaga, para a segunda fase. Foi justamente na fase de mata-mata, contra os adversários mais fortes, nos momentos mais importantes, que a nova geração de craques santistas passaram a desenvolver um futebol empolgante, de dribles, velocidade e versatilidade, que encantava dando espetáculo a cada jogo. A partir dali, Diego e Robinho que eram as estrelas do time, Renato e Elano na criação, Alex e André Luís na defesa, os laterais Maurinho e Léo no apoio, o goleiro Fábio Costa, o capitão Paulo Almeida e o atacante Alberto, fizeram daquele time, uma equipe histórica, que recolocou e trouxe ao Santos as grandes conquistas.

Nas quartas o adversário era o São Paulo, dono da melhor campanha na primeira fase, os meninos não tomaram conhecimento e venceram as duas partidas. No primeiro jogo, na Vila Belmiro, com gols de Alberto, Robinho e Diego, vitória por 3 a 1. Na partida de volta no Morumbi, depois de estar perdendo, o Santos vira no segundo tempo, e vence por 2 a 1 com gols de Léo e Diego (que mostrou personalidade ao comemorar em cima do escudo do rival).

Na sequência foi a vez do Grêmio, uma equipe mais aguerrida que talentosa, mais outro grande adversário que contava com grandes jogadores. O Santos com Robinho inspirado, eliminou com classe os gaúchos. No primeiro duelo, com bonitas jogadas e três golaços, dois de Alberto (um chute forte no primeiro e de letra no segundo) e um de Robinho (uma pintura do menino craque). O Santos vence o Grêmio por expressivos 3 a 0 na Vila – ficando barato pelo volume de jogo do time. No segundo encontro, derrota por 1 a 0 no Sul.

​​Em uma decisão histórica, contra o Corinthians, os Meninos da Vila tiveram seu momento de ápice. Na primeira partida o Santos venceu por 2 a 0 no Morumbi. E a segunda partida foi antológica, e Robinho protagonizou uma das jogadas mais marcantes da história do Brasileirão. Em uma mistura de técnica, velocidade e muita ousadia, o menino da camisa 7 pedalou oito vezes na frente do experiente lateral Rogério, que cometeu o pênalti. Robinho cobra, marca e abre caminho para o triunfo santista. O Santos venceu pelo placar de 3x2, e finalmente acabou com os 18 anos de jejum após a brilhante conquista do Brasileirão em 2002.

Os meninos queriam mais, e foram além, chegando na decisão da Libertadores em 2003, e infelizmente deixaram esse título escapar para o poderoso Boca Juniors. Em 2004, já sem Diego, mas com Robinho e Elano fazendo a diferença, conquistaram novamente o Campeonato Brasileiro por pontos corridos (46 jogos, 27 vitórias, 8 empates e 11 derrotas, sendo o recordista de gols em uma edição com 103 gols assinalados), tornando-se o primeiro a conquistar dois títulos na competição no século XXI, sob comandado de Luxemburgo, e consagrando de vez essa geração vencedora. Com certeza essa geração foi marcante, e deixou saudades no torcedor do Peixe.

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