Diabolicamente apaixonados

Atualizado: Jul 26

O time do Manchester United é conhecido por Red Devils há bastante tempo. Especificamente, desde os anos 60, quando o técnico Sir Matt Busby sugeriu o nome, alegando ser mais fiel em representar a equipe do que outros como The Heathens (“Pagãos”, em alusão ao fato do United ter sido o primeiro clube inglês a jogar num domingo) e Busby Babes (referência ao jovem escrete liderado por Busby na época). Atualmente, o mascote do Manchester é um simpático diabinho chamado Fred, mas ele não foi o primeiro a simbolizar um dos times mais vitoriosos da Inglaterra.

O primeiro mascote do United surgiu quando o time se chamava Newton Heath F.C, no fim do século XIX. Era chamado de Michael, The Bank Street Canary (“Michael, o Canário de Bank Street”) que, de canário, não tinha nada. Michael na verdade era um ganso, que desapareceu na época do Natal, muito provavelmente tendo como destino final a panela.

O segundo mascote dos Red Devils foi também um animal, mas esse muito mais especial que o primeiro. E claro, verdadeiro. Major foi o São Bernardo do capitão da equipe no início de 1900, Harry Stafford, e foi fundamental na sobrevivência do clube em meio à uma grave crise financeira. O cãozinho vagava pela torcida e pelas ruas com uma caixinha destinada a doações que, de alguma maneira, poderiam ajudar o time a se sustentar. Em um de seus passeios, o animal se perdeu e foi resgatado por John Henry Davies, um bem-sucedido cervejeiro. Stafford conseguiu localizar Major, mas não retornou com ele. Dizem que, para ficar com o cachorro, Davies foi convencido pelo capitão a investir no clube. E foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. O cervejeiro se tornou presidente do time, rebatizando-o como Manchester United e encaminhando-o para se tornar a potência que é até hoje. Major foi mascote da equipe até a sua “aposentadoria”, 5 ou 6 anos depois, devido à idade.

Com a aposentadoria de Major, o clube logo tratou de conseguir um novo mascote. O escolhido foi Billy, a cabra do meia Charlie Rogers. O animalzinho fez sucesso, mas o seu fim foi tão trágico quanto o do “canário” Michael; Billy morreu envenenado por álcool em 1909, o que aconteceu devido ao costume dos jogadores de comemorar as vitórias dividindo bebidas entre si e também com a cabra. Em meados dos anos 30, o mascote do Manchester não era necessariamente um mascote. William “Hoppy” Thorne foi um soldado inglês que perdeu uma das pernas durante a Primeira Guerra Mundial. Considerado inválido, teve dificuldades em encontrar um novo emprego, até chegar ao Manchester, onde cuidava da limpeza em Old Trafford e era também o responsável por alterar o placar das partidas. Suas brincadeiras antes dos jogos, como pular pelo campo em uma perna só, o fizeram cair nas graças da torcida. Hoppy Thorne só se afastou do United nos anos 40, quando não recebeu ingressos para a final da FA Cup e cortou relações com o clube.

Quem substituiu Hoppy Thorne foi Jack Irons, que foi mascote do Manchester United por mais de 15 anos. Irons era um homem que fazia a animação da torcida durante os pré-jogos e acompanhava a equipe nas comemorações, sempre vestido de vermelho e branco, acompanhado de um guarda-chuva e um chapéu das mesmas cores. A mascote se aposentou em 1963 e deixou o clube órfão de um símbolo nas décadas seguintes, devido à expansão do hooliganismo na Premier League.

Mas, em 1994, quase 30 anos depois, o United deu boas vindas a Fred, the Red. Apesar da origem pouco convencional e talvez um pouco sinistra, Fred nada mais é que a mais fiel representação dos Red Devils, apelido apropriado para uma equipe que assusta e assombra os rivais. Mesmo com chifres e cauda, porém, Fred não põe medo em ninguém. Há mais de 20 anos como representante de uma torcida diabolicamente apaixonada, nada mais tira o diabinho de Old Trafford, e nem deveria, afinal, parece que ambos foram feitos um para o outro.

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