Mais que um jogo

Atualizado: Jul 26

Futebol, para muitos é apenas um jogo, para outros um estilo de vida. Quando se cresce em uma família tão ligada ao esporte, toda rodada de quarta e domingo se torna uma data sagrada. Esses dois dias da semana sempre foram aguardados por mim, só por ter o bom e velho futebol. Mas essa paixão não veio "do nada". Rodeada por vascaíno, tricolor carioca, corintiano, gremista e colorado, escolhi o Botafogo por conta própria. No meu aniversário de três anos, ganhei de minha amiga uma camisa do Vasco, naquele momento a devolvi e disse, “sou botafoguense”, ninguém entendeu nada.

A partir daí, ao contrario das outras meninas, só queria sentar em frente à TV para assistir o meu Fogão. Vestir a camisa alvinegra era como um ritual. Ah, por falar em camisa, ganhei uma vindo diretamente do Rio de Janeiro, mal sabia que aquele conjunto do Glorioso mais tarde seria tão importante. Quando tinha 12 anos vi o primeiro jogo do Bota ao vivo, mesmo debaixo de chuva, o sorriso ia de orelha a orelha. Era tanta felicidade por ver meu time jogar que nada se comparava com aquilo, e ainda por cima vencemos o Avaí por 2×1. Meu pai sempre odiou futebol, mas naquele dia junto de minha mãe, levaram-me ao estádio.

Aquele poderia ter sido meu primeiro jogo, mas na verdade a primeira partida que vi ao vivo foi a do rival Fluminense. Ironia não? Em dias de rodada do Carioca ou Brasileirão, estava na casa do tio Édio assistindo o tricolor com ele e meus primos. A caipirinha, o amendoim e a pipoca eram de lei aos domingos. Por conta desse amor me levaram ao Estádio da Ressacada - não torci pro Flu, mas sim pra minha família. O tricolor estava perdendo de 2×0, quando Fred empatou o jogo: meu tio me abraçou e comecei a pular com ele. A vontade de chorar era grande, pois nunca tinha visto ele e meu primo tão felizes. Saímos de lá com a derrota por 3×2, mas até hoje foi o jogo mais emocionante para mim, afinal foi o primeiro de muitos, e o último junto a meu tio.

Meus pais trabalhando assiduamente para conseguir o melhor para mim, não tinham tempo para assistir futebol comigo, então eu ia para a casa do tio Édio ou da vó Laura. Gremista doente me fazia dormir em sua casa só para ver os jogos de quarta com ela. Lá na vó não tinha pipoca, mas sim o pão com nata com café que só ela sabia fazer! Enquanto estávamos comendo, a vó discutia com meu avô Natalho sempre dizendo que o Grêmio era melhor que o Inter - eram discussões saudáveis que nos faziam rir por horas. Dela, herdei a mania de fazer figa quando assisto jogo de qualquer esporte, mas principalmente o que mais puxei de Laura foi o amor por esporte, afinal, não era qualquer vó que ligava pra sua casa às 3h da manhã para assistir vôlei do Brasil com ela.

Voltando a falar do meu Botafogo, lembram de quando citei o conjunto do alvinegro? Mal sabia que ele se tornaria tão importante, pois além de ser a minha primeira camisa oficial, vó Laura me trouxe quando foi ao Rio de Janeiro. Ela sempre falava que eu deveria conhecer o Rio. Pois é, fui ano passado na Olimpíada e ela nem estava aqui pra eu contar como foi. O Rio é lindo, mas nada era tão lindo quanto seu sorriso por causa das vitórias do Grêmio. É vó, você fez falta na final da Copa do Brasil do ano passado, vi seu time ser campeão pela TV, mas sem você ao meu lado.

A falta deles em minha vida cresce cada vez mais, pois um dia antes do tio Édio morrer em um acidente, ele me ligou perguntando sobre o jogo do Botafogo, algo tão simples, mas tão marcante como os jogos de quarta e domingo. Graças a essas duas pessoas maravilhosas que infelizmente não estão mais comigo, aprendi o que é torcer e amar um clube incondicionalmente, trazendo coisas tão boas em minha vida como a pipoca e o pão com nata.

Numa terça-feira, dia 06 de junho, fui com meus amigos João e Guilherme assistir Figueirense x Inter, e no calor da torcida já estava até cantando as músicas do colorado. Me senti em casa, pois me fez lembrar o dia que fui com o tio ao jogo do Flu, mas dessa vez saímos com a vitória, fui pé quente e estou no aguardo da próxima viagem. Acho que se a vó Laura estivesse viva certamente iria ficar sem falar comigo um bom tempo por ter ido ao jogo do Inter, porém, o vô Natalho ficou feliz da vida ao saber que vi o campeão de tudo em campo.

Sentimentos e mais sentimentos vindos de dentro de quatro linhas, para muitos a sua segunda casa. Em agosto vou ao Rio novamente, mas desta vez será para ver o meu Botafogo dia 10, pela Libertadores. Ironia do destino, no domingo, dia 13 de agosto terá Botafogo e Grêmio, irei prolongar minha viagem para poder assistir a partida. Minha vó Laura assim como o tio Édio estarão comigo com certeza. Por isso digo: nunca será só futebol, é muito mais que um simples jogo.

Receba as novidades

do Futebol Por Elas

  • Facebook - Black Circle
  • Twitter - Black Circle
  • YouTube - Black Circle
  • Instagram - Black Circle