Novos tempos

Atualizado: Jul 26

Ah, o futebol... Só loucos se atreviam a adentrar um estádio, espaço místico, repleto de paixão e loucura. Até o início dos anos 2000 ainda havia coração. Na opinião de muitos aficionados, o Campeonato Brasileiro de 2002, tendo o Santos Futebol Clube campeão, foi o último suspiro e a evidenciação do processo de modernização que emudeceria os gritos de verdadeiro amor. Há quem diga que o assassinato começou a partir da Copa do Mundo de 1994, sediada nos Estados Unidos.

A verdade é que, os sonhadores dos tempos de ouro da peleja no país, se calaram. As cortinas se fecharam. O esporte hoje é apenas um meio de arrecadação de lucro garantido. O perfil dos frequentadores das arenas (até mesmo os simpáticos estádios pouco a pouco perdem espaço) ou “espectadores” é de pessoas que aparentemente estão indo a um barzinho ou cinema e não a uma partida de futebol. Salto, maquiagens carregadas, polos com bordado do time, jeans descolados e estilo. As arquibancadas estão tomadas por "musas" e “musos” destaques durante as transmissões televisivas. Não há gritos, palavrões e desespero quando a bola se aproxima da pequena área. O check in e selfie são garantidos pelo sinal de internet disponível abertamente. Assistir à partida em pé? Nem pensar! Se sair um gol? Aplausos. Bravo.

Há uma pequena porcentagem, tal essa marginalizada pelos órgãos de segurança e, ora pelos dirigentes dos clubes, que ainda resistem. Poucos, sem identificação, pois até isso não é mais permitido as torcidas organizadas, barras e ultras. O sangue que corre pelas veias a cada decisão é estancado. Sem torcida (os loucos, doentes, alucinados) o futebol não faz sentido. Sem bandeirões, papel picado, faixas e instrumentos não há festa. Pensando melhor, qual futebol? Esse teatro, repleto de fair play, sem provocações e repleto de cavalheirismo nem de longe é aquele que fazia a massa vibrar. Nem mesmo a animação de edições anteriores, das ruas pintadas com as cores da bandeira brasileira se vê em tempos de Copa do Mundo. O mesmo para o clima de tensão em dia de clássico. Hoje nosso plantel nacional é composto por celebridades, chorões e amargurados. Somos a geração 7x1.

Uma hora a morte chegará a nós que ainda lutamos, sofremos, aclamamos e, acima de tudo, juramos amor incondicional ao time do coração. A modernidade, os novos tempos, riscam do mapa aqueles que ousam contrariar as forças dos novos deuses. Enquanto pudermos, estaremos ali, embaixo de sol, chuva, sem marcações em redes sociais, clamores a times da moda ou qualquer outro item ou atitudes do novo consumidor. Jamais aceitaremos a imposição do sofá. Enquanto houver vida, haverá esperança para nós que ainda acreditamos no menino sonhador chamado futebol.

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