Camisa de futebol é coisa de mulher, sim

Atualizado: 26 de Jul de 2020

Nós, mulheres, enquanto torcedoras de times de futebol, já sofremos machismo, por ser considerado um esporte “para homem”. Quase sempre somos questionadas sobre assuntos que outros homens não seriam. Coisas que se tornaram tão naturalizadas no nosso dia a dia. Mas não, não tem que ser assim. Temos que começar a mudar essa realidade. Nesse contexto, precisamos falar sobre as camisas de time de futebol. Taí uma coisa que quem é apaixonado(a) por esse esporte ama e, muitas vezes, faz questão de colecionar. Mas, infelizmente, para nós, mulheres, adquirir camisas de acordo com nossos gostos e padrões não é tão comum quanto deveria.

Já passei vários minutos em frente ao computador procurando sites em que eu conseguisse encontrar camisas femininas e nem sempre acho o que quero. Há duas semanas, procurava por uma camisa feminina do Real Madrid da temporada 2016/17, e o único modelo que encontrei era o do terceiro uniforme. Quando procurei por camisetas da Espanha desta temporada, só achei camisas comemorativas ou alternativas femininas. Belas camisas, por sinal. Mas a questão é que, se existem camisas masculinas para os três uniformes, por que também não existem as femininas?

Recentemente, o Corinthians se envolveu em uma polêmica com relação a isso. Para sintetizar: o clube paulistano lançou novos modelos de uniforme. Um com uma faixa preta vertical no meio da camisa, e outra comemorativa dos 40 anos da conquista do Paulistão de 1977. A partir de então, dos três modelos diferentes disponíveis para a compra, somente um tinha também modelo feminino.

Além desse, teve outro caso que ficou marcado negativamente, dessa vez envolvendo o Atlético Mineiro. Em 2016, para apresentar os novos uniformes do clube, modelos homens e mulheres desfilaram. Até aí, nenhum problema. Mas não foi simples assim. Os homens apresentaram a nova roupa devidamente vestidos, com camisa e short. Já as mulheres desfilaram seminuas, apenas com a camiseta do time e de lingerie. Graças à midiatização e à rapidez com a qual as informações se disseminam atualmente, foram várias as notas de repúdio a esse ato, tanto de torcedoras de outras equipes, quanto de mulheres não torcedoras e de jornalistas. Ainda bem que essas ações que vão de encontro ao machismo ainda intrínseco ao futebol estão ocorrendo com frequência, por toda parte.

Uma queixa bem recorrente entre algumas torcedoras é o decote, muitas vezes, enorme, das camisas. A nova camisa do Flamengo, por exemplo, foi alvo de críticas por parte da torcida feminina. A camiseta, caracterizada por ser gola polo no modelo masculino, com modelo inspirado na camisa da década 1980, tem um decote na feminina.

O mais deplorável disso tudo é ouvir que não são comercializadas camisetas femininas dos uniformes por falta de demanda. Segundo reportagem do portal O Tempo, de fevereiro de 2016, 17% dos sócios-torcedores do Brasil são mulheres; ainda de acordo com a reportagem, o levantamento feito pela Sophia Mind, consultoria do grupo Bolsa de Mulher especializada em realizar pesquisas com mulheres, mostrou que 80% das brasileiras torcem por algum time e 69% delas consomem produtos relacionados ao futebol. Temos o direito de ter uma camisa que se adeque ao nosso gosto e ao padrão do nosso corpo. Nossa voz precisa ser escutada também. Já basta de ter que comprar camisa infantil ou masculina de um tamanho bem menor por não existir determinado modelo para nós. Já basta ter que ficar, mais uma vez, à sombra dos homens. Desejamos ter o direito de torcer bem uniformizadas, exatamente do jeito que queremos.

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