"Conheço o meu lugar!", uma torcida que canta o orgulho nordestino

Atualizado: 25 de Jul de 2020

Tudo começou em 2010, o jogo era Flamengo x Ceará, pelo Campeonato Brasileiro da Série A, no Maracanã. Marcio Veríssimo, torcedor do time nordestino, decide então ir assistir a partida com um chapéu de cangaceiro (o "cangaço" foi um grupo armado que rondou os sertões nordestinos na década de 30 e até hoje, rodam o imaginário popular). Alguns integrantes da torcida rubro-negra usaram o termo cangaceiro de uma maneira pejorativa, afim de intimidar os torcedores rivais.

Voltando aos solos fortalezenses, ganhou força a ideia de uma torcida organizada que em contrapartida à xenofobia, cantasse o orgulho de ser nordestino, que usasse o chapéu de cangaceiro como quem conhece sua história, que ao som do forró entoasse seu amor, que no lugar da cerveja tomasse a cachaça e que nas estampas de suas camisetas exibissem figuras lendárias da cultura nordestina: Luiz Gonzaga, Patativa do Assaré, Belchior, entre tantos outros que compartilham a alegria de ser da terra. Além de incentivar o Ceará, a ideia era exaltar o nordeste, nas suas belezas e particularidades.

Os "Cangaceiros Alvinegros" então surgem afim de dar uma cor e um forró a mais ao espetáculo das arquibancadas, fazendo-nos lembrar que no futebol não há espaço para preconceitos de quaisquer característica.

Em meio ao futuro incerto da maior competição nordestina, a Copa do Nordeste, os Cangaceiros Alvinegros e cearenses que dividem o solo com tantos outros cangaceiros baianos, paraibanos, pernambucanos espalhados pelo nordeste, levantam-se com orgulho de ser o que são, como quem cantam (o grande) Belchior, "eu não sou do lugar dos esquecidos! Não sou da nação dos condenados! Não sou do sertão dos ofendidos! Você sabe bem: conheço o meu lugar!"

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