Bahia, na alegria ou na tristeza

Atualizado: Jul 24

Quando me apaixonei pelo Esporte Clube Bahia, ele vivia o pior momento da sua história. O time havia acabado de cair para série C, vivia um jejum de títulos que duraria 10 anos e estava praticamente falido. Não havia motivos para uma criança de cinco anos se apaixonar por ele. Mas quem disse que existe um motivo específico para explicar o amor?

Encontrei o Baêa em um momento complicado. Apaixonei-me primeiro pela sua torcida que, mesmo com todos os problemas, lotava o estádio para acompanhá-lo. Em 2003, o clube entrou em uma profunda crise, sendo rebaixado para série B e, em 2005, para a série C. Foi durante esse período que me aproximei daquele que seria o grande amor da minha vida.

Quando o Bahia estava na série C, sua torcida vestia a camisa e tornava a antiga Fonte Nova em um verdadeiro carnaval. Depois de dois anos amargando na terceira divisão, em 2007, o clube conseguiu o acesso em um jogo emocionante com direito a gol aos 50 minutos do segundo tempo. Aquele que era para ser um momento de alegria e comemoração virou tragédia, pois os anéis do estádio cederam e a queda matou sete torcedores.

O ano de 2008 se iniciou de maneira estranha. O tricolor mudou de cidade e continuava vivendo dramas. Ausente da série A e sem conquistar títulos estaduais, o Baêa lutou contra o rebaixamento e fez sua torcida sofrer mais um ano. Nem nesse momento os torcedores abandonaram o time, o amor não permitia que o Esquadrão de Aço ficasse sozinho.

Em 2009 pouca coisa mudou, apesar de uma campanha melhor do que a anterior, o clube não conseguiu o acesso. Foram sete anos sem estar na elite do futebol, o medo desse sofrimento nunca acabar assustava os tricolores. Mesmo assim, em 2010, a torcida, mais uma vez, mostrou que era e é apaixonada pelo Baêa. Aquele ano se iniciou de maneira diferente. Aos que acreditam na mística baiana, aquele estava escrito para ser o ano TRICOLOR. Não deu outra, mandando os jogos no Pituaçu e com uma torcida que lotou quase todos os confrontos, o time conseguiu o acesso com duas rodadas de antecedência. No dia 13 de novembro de 2010, Salvador ganhou um carnaval fora de época, acabava ali um tormento. Naquele ano, a torcida tricolor ganhou o prêmio da CBF de Torcida de Ouro, devido a festa e o número de torcedores que foram ao estádio.

Aquele foi o meu primeiro momento 100% feliz com o Esporte Clube Bahia. Sentia a adrenalina no meu corpo, minha voz já havia sido perdida e eu não conseguia pensar em mais nada. Naquele instante eu era felicidade, e foi ali que entendi que se fosse necessário chorar pelo tricolor, eu choraria, pois os momentos que iria ter de alegria seriam muito melhores. O jejum de títulos durou mais dois anos. Apenas em 2012 conquistamos um estadual e soltamos um grito guardado durante 10 anos: É CAMPEÃO. A torcida comemorava nas ruas, o estádio ficou pequeno, todos queriam participar daquele momento e compartilhar sua felicidade com o Esquadrão de Aço.

Hoje, o clube vive momentos de altos e baixos. São triunfos e derrotas, mas o amor só cresce. Nasci para amar o Baêa e farei isso por todos os dias da minha vida. Ser torcedor é se jogar em uma montanha-russa, é saber que as dificuldades aparecerão, mas que os momentos felizes serão INCOMPARÁVEIS.

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