92 foi a batida de falta do Junior

Atualizado: Jul 26

Nesta última semana, completou-se 25 anos de um dos episódios mais bonitos da história do Flamengo. A conquista do pentacampeonato brasileiro, em 1992, veio para superar a desconfiança e a incredulidade que havia se instaurado sobre o elenco do time da Gávea no decorrer daquele ano. Assim, como sempre acontece, a união fez mais do que a força: trouxe as vitórias pra lá de necessárias. Munido do talento de jogadores como Júlio César, o Imperador, Gaúcho, Zinho e sob a liderança do experiente maestro Júnior, trazia consigo um elemento extra e mais do que especial: a torcida. Juntos, jogadores e o camisa 12 – A Nação Rubro-Negra, tornaram possível um triunfo que fez o Flamengo ser quem é hoje: o maior do Rio.

O formato do Campeonato Brasileiro na época era diferente do atual: 20 times disputaram a primeira fase do torneio, dos quais apenas 8 seguiram para a fase seguinte a fim de serem alocados em dois grupos, de onde sairiam os 2 que brigariam pelo título de campeão nacional. O Flamengo passou para a segunda fase em 4º lugar, mas por muito pouco perdeu a vaga entre os oito melhores. O rubro-negro começou o campeonato em grande estilo, somando 3 vitórias e 2 empates em 5 partidas, mas com as rodadas seguintes teve de lidar com uma série de lesões que comprometeriam o desempenho do time no campeonato, colocando-o em uma situação nada confortável: o time estava longe da zona de classificação e havia até sofrido com uma goleada de um de seus maiores rivais, o Vasco. Para voltar a sonhar com o título, o Mais Querido precisava, no mínimo, de 12 dos 16 pontos em 8 partidas que ainda estavam em disputa (na época, a vitória valia 2 pontos). A missão foi difícil? Sem dúvidas! Mas "se não for suado, não é Flamengo".

Com 5 vitórias, 2 empates e apenas 1 derrota, o rubro-negro conseguiu a quantidade de pontos que precisava e somado com os resultados de outros times, conseguiu um confortável 4º lugar que lhe permitiu o acesso à segunda fase do Brasileirão. Ainda estigmatizado pela queda no rendimento no início do campeonato e pela "aparição" surpresa no quadrangular, foram poucos os que confiaram na capacidade do Flamengo, principalmente pela presença de times fortes no mesmo grupo do Urubu: São Paulo, Santos, Vasco. O Time do Povo venceu o primeiro jogo, contra o São Paulo, mas deu um susto na torcida, escorregando ao perder para o Santos e apenas empatar com o Vasco. Venceu o rival cruzmaltino nas partidas de volta, mas escorregou novamente ao perder para o tricolor paulista. No último jogo, contra o Santos, precisava não somente vencer, mas esperar por uma derrota do São Paulo.

E assim foi. Mais uma vez o Flamengo tornou o impossível possível e, após cinco anos, tinha novamente a chance de voltar a comemorar um título nacional. Enfrentaria na sua cidade natal um rival local, o Botafogo. O alvinegro havia feito uma campanha consideravelmente melhor que a do rubro-negro ao longo do campeonato e jogaria com a vantagem do empate. Mas, estando no Rio e tendo a oportunidade de jogar em seu eterno lar - o Maracanã, a vitória parecia certa, afinal, o Mengo estava em casa. Os números apontavam para o time da Estrela Solitária, mas dentro de campo, a história foi outra. Diante de 150 mil torcedores, o Flamengo venceu o Botafogo com gols de Júnior, Nélio e Gaúcho. Calou aqueles que haviam duvidado e saiu diferente da maneira com que havia entrado: como favorito.

Uma semana depois, no dia 19 de Julho, os dois representantes da elite do futebol carioca voltaram a se enfrentar no templo do futebol. Antes da alegria, porém, veio a tristeza: a grade da arquibancada desabou, derrubando os torcedores, dos quais 3 acabaram perdendo a vida e mais de 80 ficaram feridos. Nos vestiários, a notícia do acidente havia chegado até os jogadores, mas a ordem era para que nenhum detalhe fosse revelado dada a importância da partida. Apesar da atitude lamentável, entretanto, o time do Flamengo soube honrar aqueles membros da sua Nação.

Mais unida do que nunca, a equipe buscou incessantemente a vitória, e não somente administrar a vantagem que havia conseguido na partida anterior. No primeiro tempo, saiu na frente com o histórico gol de falta de Júnior – lateral de formação, mas que naquele ano excepcionalmente encontrou-se no meio de campo – e no segundo tempo, foi a vez de Júlio César ampliar o placar a favor do rubro-negro. O Botafogo não demorou muito para deixar tudo igual, mas quando reagiram, já era tarde. Com a presença de mais de 120 mil adeptos, o árbitro deu fim à partida e início à uma festa que se tornaria uma lembrança maravilhosa: o Mais Querido foi campeão!

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