"Olê, olê olê olê...Telê, Telê" - 86 anos de Telê Santana

Atualizado: Jul 26


O jogador

O mineiro Telê Santana nasceu em 26 de julho de 1931, e engana-se quem pensa que ele brilhou apenas como técnico. Já na década de 40 começou a jogar no Itabirense Esporte Clube, time local de sua cidade natal Itabirito. Em seguida, atuou pelo América de São João Del-Rei para, então, chegar ao Rio e entrar para a equipe juvenil do Fluminense, em 1949.

Apesar de ter passado por outros clubes, como Guarani e Madureira, foi no clube das laranjeiras que o atleta se consagrou como jogador e ganhou o apelido "fio de esperança", a partir de um concurso encabeçado pelo então dirigente do Fluminense, Benício Ferreira, e realizado pelo jornalista Mário Filho, afim de acabar com os apelidos pejorativos como "Fiapo" devido ao porte físico franzino de Telê. Atuando pela equipe carioca, ocupa a terceira colocação entre os jogadores que mais atuaram e, também, entre os artilheiros. Ao todo são 557 partidas e 165 gols. Dentre os principais títulos, estão: Campeonato Carioca em 51 e 59, Copa Rio em 52 e Torneio Rio-São Paulo em 57 e 60.

O técnico

Quem conviveu com Telê afirma que ele gostava de desafios. Não é para menos que, após encerrar a carreira como jogador, assumiu o compromisso de ser técnico. E foi no mesmo Fluminense que o consagrou em sua antiga profissão que esse desafio foi posto à prova. Começou treinando a equipe juvenil, onde foi campeão carioca em 1968 e, já no ano seguinte, tornou-se comandante da equipe principal.

Em sua passagem pelo Atlético Mineiro, foi campeão mineiro e campeão brasileiro em 71, com um time histórico do artilheiro Dadá Maravilha, que tinha um ótimo relacionamento com o então treinador e o chamava de "São Telê Sanatana".

Seleção Brasileira

“Futebol é arte, é diversão, sem chutão para frente”

Perfeccionista, exigente, chato, ranzinza, são alguns adjetivos usados por muitos para descrever Telê Santana. Mas quem trabalhou com o treinador o coloca no hall dos melhores treinadores da história. Não é à toa que as seleções das Copas de 82 e 86 são lembradas e admiradas com orgulho por todo o mundo, mesmo não sendo campeãs da competição.

Depois da Seleção, Telê ainda treinou o Flamengo e o Palmeiras, mas foi no São Paulo que marcou época.

São Paulo: Era Telê

"Atingir a perfeição é impossível. Mas aproximar-se cada vez mais dela, não”

Difícil não acreditar em perfeição após o São Paulo de 92 e 93. Telê chegou ao Morumbi em 90, quando o São Paulo havia feito uma campanha no Campeonato Paulista muito abaixo do esperado e, no ano seguinte, já com uma equipe entrosada, com jogadores como Raí, Antônio Carlos, Cafu, Leonardo e Elivelton, conquistou o Campeonato Brasileiro e Paulista. No entanto, o ano de 92 seria um marco para o time e também para o futebol brasileiro. As conquistas da Libertadores e, em seguida, do Mundial, contra o Barcelona, colocaram o Tricolor em um outro patamar no futebol.

"Eu me recordo bem dessa final. O São Paulo foi infinitamente superior a nós, tinha uma equipe fantástica, com Raí, Cerezo, Müller e não tínhamos condições de superar. Foi um time que dominou o futebol sul-americano por alguns anos", relembra o treinador Pep Guardiola, que na época defendia o Barcelona. Em 93, o São Paulo repetiu o feito, dessa vez contra o Milan.

Foram diversos outros títulos, permanecendo no São Paulo até 1996, quando, infelizmente, sofreu uma isquemia cerebral que o afastou dos gramados de vez. Faleceu dez anos depois, em 21 de abril.

Ídolo

“O futebol é minha vida e não consigo me afastar dele. Sou um fanático”

Muito mais que história, o treinador deixou um legado no futebol brasileiro, onde seus feitos e conquistas são lembrados até hoje. Suas glórias e ensinamentos ecoam constantemente no Morumbi aos gritos de "Olê, olê olê olê...Telê, Telê".

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