Tudo vai, mas o verde permanece

Atualizado: Jul 26

Parece que foi ontem que todo o Brasil esteve ligado na saga de um dos maiores times de Santa Catarina rumo àquele que seria o maior título de sua história. Incontáveis torcidas deixaram o clubismo de lado e apoiaram o Verdão de Chapecó em sua trajetória na Copa Sul-Americana, não porque ele representava o Brasil na competição – convenhamos que essa justificativa não convence mais ninguém –, mas porque soube conquistar mesmo os torcedores mais fanáticos dos outros clubes espalhados pelo país. Não se trata de “virar a casaca” ou de trair seus respectivos times, mas de adotar, respeitar e nutrir carinho e admiração. Tamanho carinho que se manteve mesmo no momento mais difícil que a Chapecoense vivenciou desde a sua fundação.

Quase um ano depois, ela se vê trilhando o mesmo caminho que a levou a outro patamar no futebol. Novos rostos, nova direção, mas o mesmo amor de sua torcida, aquela mesma massa que a ajudou a resistir em meio às dificuldades. Sob o comando de Vagner Mancini, o time ressurgiu como uma fênix e conquistou o Campeonato Catarinense. No Brasileirão, teve um início considerável e chegou a se manter na liderança por algumas rodadas. Na Copa Libertadores, se equilibrou como pôde, e surpreendeu pelo trabalho que o elenco completamente renovado desempenhou, mas acabou caindo – não em campo, mas fora dele. Agora com Vinícius Eutrópio, restou-lhe uma vaga na Sul-Americana e a possibilidade de brigar pela classificação no torneio.

A Chapecoense enfrentaria o Defensa y Justicia, o mesmo time que havia eliminado o São Paulo na fase inicial da competição. Na casa do adversário, na Argentina, foram eles quem ditaram o ritmo. A equipe catarinense voltou para casa com uma derrota, magra, mas que pôs em risco a classificação para as oitavas do campeonato. Porém, nem tudo estava perdido. O time ainda tinha chance de reverter o resultado e, jogando em Chapecó, poderia contar não somente com o empenho e a dedicação dos 11 jogadores, mas com o apoio incondicional do 12º jogador, a sua torcida. E na última terça-feira (25), a Arena Condá voltou a ser palco do milagre do Verdão. Túlio de Melo marcou o único gol da vitória do Furacão do Oeste e tornou a classificação uma realidade mais próxima: a Chape só dependeria de se garantir na disputa por pênaltis.

Pênaltis sempre foram o terror de qualquer torcedor, mas a torcida alviverde tinha um histórico bom o suficiente para ter fé, e mais: a certeza de que lá de cima teria quem olharia por eles. Moisés Ribeiro, meia da Chape que não havia viajado para a Colômbia em novembro por ter ficado para se recuperar de uma lesão, mandou o recado para Jandrei, atual goleiro do time: “pula mais para o lado direito”; o mesmo lado para o qual o goleiro Danilo costumava voar para fazer as suas defesas. O arqueiro deu ouvidos à recomendação do colega, e repetiu o feito que o eterno camisa 1 realizou em 2016 contra o Independiente de Avellaneda. Com 4 gols contra os 2 do adversário nas penalidades máximas, a Chapecoense estava novamente nas oitavas de final da Sul-Americana.

O jornalista e também sobrevivente Rafael Henzel se emocionou ao narrar o jogo, e declarou que o espírito de Danilo havia baixado sobre a Arena Condá. Não somente ele, mas todo o espírito lutador e persistente daquele histórico time se fez presente naquela noite e, com toda certeza, acompanhará e motivará este novo time por onde quer que forem e em todas as batalhas que travarão dentro de campo. O Verdão mais querido do Brasil tem a oportunidade de reescrever em novas páginas uma mesma história feliz e vitoriosa, porque tudo se vai, mas o verde, o verde da esperança, o verde de Chapecó, ah... Ele sempre permanece!

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