Você é mulher e gosta de futebol?

Atualizado: Jul 26

Sim! Sou uma mulher cisgênera, que se reconhece com o gênero pelo qual fui biologicamente instituída, e AMO futebol. Por que esta afirmação ainda causa tanto espanto em pleno 2017?

Para mim, futebol é uma das principais formas de socializar. “Pois é, o Inter agora parece que embalou né?”; “Tu viu o Botafogo superando as expectativas na Libertadores?”; “Preciso reconhecer que o co-irmão está bem”; ou ainda, “Olha, acho que aquele lance duvidoso da rodada do final de semana não foi pênalti mesmo”.

Estive alguns dias viajando e praticamente todas as minhas conversas com os motoristas de Uber e outros homens foram sobre futebol. “Você gosta de futebol mesmo, hein” ou então “É, parece que você entende de futebol mesmo”. Homens, “sejem menas”, por favor. É tão legal encontrar um cara com quem tu entras em algum assunto relacionado ao esporte mais popular do Brasil e ele continua de forma natural sem fazer um grande acontecimento sobre o fato de uma mulher estar conversando “de igual pra igual”, como se isso fosse impossível porque eu tenho um sexo biológico diferente do dele.

Não é o gênero que define a minha capacidade de compreender a regra do impedimento (e por favor, mudem o roteiro das perguntas porque essa já está bem clichê). Não é o meu gênero que me faz saber a escalação do Inter Campeão do Mundo em 2006, é a minha memória, e ela falha de vez em quando. Meu gênero não significa que eu vou ao estádio para ver homens, é o seu preconceito.

Ser mulher e gostar de futebol não é nada fácil (como já falamos aqui no blog). Parece, inclusive, que está cada vez mais difícil, até porque o esporte ainda é tomado por atitudes e hábitos machistas, que nós mesmas reproduzimos muitas vezes de forma automática. E é justamente por isso que penso sempre ser válido questionarmos esta situação. Sim, somos mulheres e gostamos de ir ao estádio apoiar o nosso time.

Somos mulheres que entendem de futebol e vão além do clubismo. Sim, somos mulheres, gostamos de ver a bola rolando no gramado por 90 minutos, depois acompanhar a coletiva, ler diariamente notícias sobre o assunto e debater com outras pessoas, independente do seu gênero. E o mundo vai ter que aceitar isso algum dia.

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