Respeitem nosso futebol — uma carta aberta do Núcleo Nordestino do Futebol Por Elas

Atualizado: Jul 25

Quantas vezes nos deparamos com jornalistas e ‘torcedores’ fazendo comentários xenofóbicos em relação ao Nordeste? Constantemente acompanhamos pessoas diminuindo nossos clubes, nos pondo para baixo e atacando nossa região. Recentemente vimos comentaristas e repórteres agindo de forma preconceituosa enquanto abordavam os times do Nordeste (como aconteceu após o triunfo do Vitória sobre o Corinthians, e com o Náutico, que foi utilizado como exemplo de time pequeno). As torcidas também são palcos desses atos... Diariamente encontramos comentários de menosprezo aos times da região. O futebol, que deveria ser um esporte para todos e para unir o povo, acaba tornando-se testemunha do preconceito de muitas pessoas que não conseguem enxergar a grandiosidade dessa região.

É reforçado pela mídia a taxação do futebol nordestino como inferior quando nossas glórias são tratadas como "zebras". No entanto, são simplesmente vitórias. Apesar de todas as discrepâncias financeiras ou estruturais, o futebol continua a ser onze contra onze. São vidas singulares que se empenham cotidianamente em busca de um objetivo e que merecem respeito por parte da torcida, da equipe rival e principalmente da imprensa, entendendo que esta tem alcance e influência enormes, sendo considerada formadora de opinião. Por isso, não somos zebras, somos puramente times, em seus júbilos e pesares.

Além desses aspectos, outro problema que vai ao encontro da falta de representatividade de grande parte dos clubes nordestinos é a prevalência de transmissões de jogos de times do eixo Sul-Sudeste. Em muitos casos, isso ocorre quando uma dessas equipes grandes tem uma partida importante e acontece no mesmo horário que um jogo disputado pelos nossos times do Nordeste. De acordo com a lógica lucrativa do mercado, esse seria o certo a se fazer pelos índices de audiência serem mais elevados para aquelas equipes que já têm boa visibilidade. Mas, se também não for dada visibilidade aos times de menor expressão, como que eles conseguirão se desenvolver e render bem?

Parafraseando Euclides da Cunha que, na obra Os Sertões, afirmou que o sertanejo é, antes de tudo, um forte, podemos garantir que o torcedor nordestino também o é. Se dizem que o principal elemento do futebol é a paixão, o Nordeste é o melhor exemplo para isso. Nós existimos. Nós resistimos. Somos nós que lotamos os estádios até com nossos times disputando a terceira ou quarta divisão do campeonato nacional. Somos nós que acreditamos até o fim. E somos nós, também, que não vamos nos calar — nem nos estádios, muito menos fora deles. Conhecemos a força das nossas camisas, e não vai ser nenhum pensamento preconceituoso que vai decretar uma “regra de impedimento” que anule o futebol nordestino. O Brasil é grande, e nós também somos.

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