Um exemplo de amor ao futebol


Sabe aquelas histórias bonitas que só o futebol nos proporciona? Então, hoje resolvi contar a da minha amiga, Ana. A conheci em 2013/14 devido ao Paulinho, jogador do Barcelona e da Seleção Brasileira, e logo me encantei com a história dela de luta e amor ao futebol.

Ana Caroline, turismóloga, 23 anos, sempre foi apaixonada por futebol. Cresceu em uma família onde o esporte era um hobby, e desde pequenininha se ligou a esse universo. Quando estava no ensino fundamental, com oito anos, a escola organizava torneios interclasse e interescola. Foi ali que descobriu sua grande paixão: jogar bola.

Diariamente, nós mulheres, lidamos com os preconceitos referente ao fato de sermos torcedoras e apaixonadas por futebol. Imagine só para quem pratica o esporte. A Ana sempre enfrentou os seus desafios e tentou quebrar as barreiras, mesmo que na escola não valorizassem o futebol feminino. “A acessibilidade feminina, pelo menos naquele período, era muito curta. Então boa parte dos meninos que eu jogava por fora da escola em outros times, detestava ter que aceitar uma “infiltrada” no meio deles, digamos assim. Em momentos até de dividida de bola, faltas eram intencionais, insultos eram intencionais, e tudo isso para que a superioridade masculina permanecesse obviamente mais alta. Mas no geral, foi sim uma época turbulenta demais”.

Infelizmente, o destino quis mudar o sonho da Ana. Em 2010, mais precisamente no dia 7 de abril, ao sair da escola sentiu-se mal, mas mesmo assim prosseguiu seu caminho de volta pra casa. Ela esperou o sinal fechar, mas quando foi atravessar já não viu mais nada. Foi atropelada. E o pior de tudo, o ser humano que a atropelou não socorreu e fugiu. Ana ficou um mês hospitalizada, passou por diversas cirurgias e se tornou cadeirante. Após ir para casa, começa mais um desafio na vida dela: se recuperar. Em agosto daquele mesmo ano, voltou para a escola, com muletas. Lidar com olhares estranhos, perguntas e preconceitos tornaram-se rotina. No terceiro ano do ensino médio, ela já não precisava mais de muletas. E contava com o apoio de seus amigos, que lhe davam força suficiente para que ela conseguisse dar a volta por cima.

Ela sempre foi apaixonada pela Marta, fissurada nas jogadas e dribles desde os seus seis anos, sempre se inspirou na rainha, pois acreditava que as duas tinham histórias em comuns, a sua luta e o fato de ter mães guerreiras, que criaram as filhas sozinhas. “No mesmo dia de meu acidente, havia recebido a notícia de que tinha um olheiro procurando meninas ali para participar de testes para o Meninas da Vila. Era a minha maior chance, era um dos meus maiores objetivos, por uma série enorme de fatores. Um dos maiores era que a base santista tinha sua parte completamente feminina, e na época nada mais nada menos que minha maior inspiração da vida e do esporte, Marta, estava atuando no alvinegro praiano.”

Durante o terceiro ano do ensino médio, ela se arriscou no futsal, mas foi vítima de preconceito e insultos. “Corria mancando, e por sinal sofrendo bullying de meninos que me viam jogando da arquibancada e soltavam piadas do tipo “Olha lá, o que que essa menina ta fazendo jogando bola?” “Nem correndo ta!” “Sai daí, manca.” Aquilo me quebrava milimetricamente em milhões de pedaços por dentro. Mas ao mesmo tempo, foi uma vitória. Eu mostrava que não ligava pra nada do que eu ouvia, e me calava, ao invés de me tornar igual aquelas pessoas.”. Ana desistiu, afinal seu corpo já não aguentava mais e havia chegado no seu limite.

Torcedora fanática do Corinthians, Ana ama ir aos jogos (eu já fui com ela, e olha... Foi sensacional). O seu grande sonho atualmente é trabalhar com o Jornalismo Esportivo, afinal como ela mesmo define: “Trabalhar com o esporte é como injetar um combustível diário em mim. Traz-me vontade de viver mais.”

O futebol significa tudo para Ana. E quem a conhece sabe que não é exagero. As barreiras que ela enfrentou não foram e nem serão em vão. Ela luta diariamente por seus sonhos e nunca deixa-se abater por um mau momento. A força e a vontade de vencer me impressionam, e eu desejo as melhores coisas do mundo para ela.

Mais uma vez o esporte nos apresenta uma história de vida, onde uma menina teve que desistir do sonho de ser jogadora profissional, mas nunca desistiu do futebol. Nós, do Futebol Por Elas, desejamos o melhor, acreditamos que em breve você irá realizar seu sonho atual e se tornará em mais uma companheira de profissão.

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