Dia do Palmeiras: 75 anos da arrancada heroica

Atualizado: 26 de Jul de 2020

Um dos mais importantes capítulos na história do Verdão, aconteceu no ano de 1942, quando o antigo Palestra Itália, tornou-se Palestra de São Paulo, e por fim terminou o campeonato como Sociedade Esportiva Palmeiras, nome que carrega até hoje. Mas, nem todas as pessoas conhecem o motivo da mudança, então vamos recordar neste dia tão louvado pela torcida palmeirense.

Tudo teve início com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, e a entrada do Brasil no conflito. O nosso país era governado pelo então presidente Getúlio Vargas, que aliou-se com EUA, URSS, Grã-Bretanha, França entre outros. Declarando assim, guerra aos países do “Eixos” (Alemanha, Itália e Japão). Começou então a pressão para que o então Palestra Itália, mudasse seu nome durante a guerra.

Em março de 1942, o clube paulistano Palestra Itália decidiu mudar o nome para Palestra de São Paulo, além da mudança em seu escudo, com a retirada da cor vermelha e a entrada da cor amarela, em referência às cores da bandeira nacional. Mesmo com a mudança, as pressões políticas não diminuíram. Acreditavam que a palavra Palestra, de origem grega, fazia referência à Itália. Um dos maiores responsáveis por essas pressões, foi seu próprio rival São Paulo Futebol Clube. Segundo os dirigentes do então Palestra, o rival teria interesse no Estádio Parque Antártica. O tricolor diz que não.

No dia 14 de setembro, houve uma reunião para oficializar o novo nome, que por sugestão do Sr. Mário Minervino (membro da diretoria), passou a se chamar Sociedade Esportiva Palmeiras. O então “criador” do nome disse “Não nos querem Palestra, pois seremos Palmeiras e nascemos para ser campeões”. Não se sabe ao certo a inspiração para o nome do Verdão, alguns acreditam que seja pela grande quantidade de Palmeiras nas dependências do clube. E outros acreditam que seja devido à extinta Associação Atlética das Palmeiras.

O primeiro jogo com seu novo nome, foi justamente um clássico no Campeonato Paulista. Durante todo o torneio, o Palestra de São Paulo, realizou uma boa campanha, em 18 partidas, foram 16 vitórias e dois empates. O seu adversário naquele 20 de setembro, foi o São Paulo, mas o jogo “começou” bem antes do juiz apitar. Os dirigentes do São Paulo, tentavam de toda forma denegrida a imagem do Palmeiras. Eles diziam abertamente a imprensa que os palmeirenses eram italianos fascistas e inimigos da pátria. Que coisa não?! Nada abalou o Palmeiras, que acompanhou as declarações pré- clássico com naturalidade, mas acreditando que conseguiriam suportar a pressão e honrar o grande Palestra.

O dia chegou. O palco era o Estádio do Pacaembu. E a torcida do tricolor já havia ensaiado uma impiedosa vaia, assim que o Palmeiras surgisse no gramado. Mas, o grande Capitão Adalberto Mendes, teve uma excelente ideia. O alviverde subiu para o campo com a bandeira brasileira, e o Capitão como linha de frente para impor respeito a torcida presente. Ninguém seria capaz de vaiar um time que estava sendo representado por um capitão do Exército Brasileiro.

No início da partida, o São Paulo criava ótimas oportunidades, mas a alegria durou pouco. Logo aos 20 minutos do primeiro tempo, o atacante Cláudio Pinho, marcou o primeiro gol da partida e ainda mais foi o primeiro a marcar com o nome de Sociedade Esportiva Palmeiras. Após três minutos, o tricolor empatou o jogo com Waldemar Brito. A partida tornou-se mais disputada e nervosa, mas antes do final da primeira etapa, o Palmeiras ficou novamente à frente do placar, quando aos 43 minutos, Del Nero marcou. O segundo tempo teve início com o São Paulo desesperado para marcar gol, ainda mais porque o empate não adiantaria nada para os tricolores. Não deu certo. E aos 14 minutos, Echevarrieta, marcou o terceiro gol da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Aos 19 minutos, o palmeirense Og Moreira sofreu uma entrada violenta do zagueiro são-paulino Virgílio. O árbitro marcou o pênalti e expulsou o defensor do rival. A revolta do time do São Paulo foi enorme, não queriam deixar que o time alviverde cobrasse o pênalti. E ainda mais, abandonaram a partida, sem mais e nem menos, seguindo ordens do capitão Luizinho. A equipe palmeirense comemorou o título após o apito do árbitro Jaime Janeiro. Ao final da partida, o técnico do Palmeiras, Armando Del Debbio em tom de comemoração e empolgação disse: “o Palestra morre líder, e o Palmeiras nasce campeão”.

Se por um lado, o São Paulo abandonou a partida e não cumpriu com sua obrigação de jogar a partida completa, o Palmeiras mostrou ali que mesmo com todas as difamações, o time que mudou de nome, era um dos principais gigantes do futebol brasileiro. E até hoje essa conquista histórica é motivo de comemoração aos torcedores palmeirenses. Em 2005, foi proposto pelo vereador Edivaldo Estima um projeto de lei 029/46, que o dia 20 de setembro fosse oficializado como o “Dia do Palmeiras”. A lei então foi sanciona pelo então prefeito de São Paulo, José Serra. Hoje é o dia de comemoramos o orgulho de ser Palmeiras. E ainda mais, os 75 anos da Arrancada Heroica.

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