Árbitro de vídeo: vale o risco

Atualizado: Jul 26

Não é de hoje que a arbitragem brasileira tem levantado polêmicas e dado origem a muitos questionamentos e discussões. É claro, o problema não é exclusivamente do Brasil – os exemplos lá fora de erros não são poucos –, mas o problema aqui é crônico. Tão crônico que afeta todos os times, sem distinção. Não é à toa que, hoje, argumentar que time X ou Y é mais ajudado não é tão certo, se é que já foi em algum momento.


Segundo a Confederação Brasileira de Futebol, uma grande parcela dos erros de arbitragem até o momento no Brasileirão 2017 foi em lances de pênalti e de impedimento. Até meados de agosto, o levantamento realizado pela Folha de São Paulo apontou cerca de 32 equívocos, que daria uma média de 2 por rodada. Citar quais clubes são os mais beneficiados ou prejudicados pelos erros seria ineficaz, já que no fim, o problema é genérico e atinge a todos. Pelo contrário, talvez servisse para fomentar ainda mais ódio e rivalidade exagerada. Mas a pesquisa feita pela CBF no último mês, registrou que parte dos principais times a serem “ajudados” também eram prejudicados pelas falhas das equipes de arbitragem, o que prova que não se trata, na maioria das vezes, de favoritismo ou até mesmo “mau-caratismo” dos profissionais e dos times.

No último domingo (17), o líder do Campeonato Brasileiro e principal alvo dos holofotes no torneio, Corinthians, protagonizou mais um lance polêmico. O jogador Jô marcou um gol com o braço direito no jogo contra o Vasco, partida que foi vencida pelo time paulista por 1x0. A polêmica foi tanta que, no início desta semana, o atual presidente da CBF, Marco Polo del Nero, anunciou a introdução do árbitro de vídeo no resto do Campeonato. A decisão tem gerado muita discussão, principalmente porque a ideia do A.V. nunca havia sido completamente aceita no mundo do futebol.


O A.V. começou a ser testado recentemente. Na última edição do Mundial, na Copa do Mundo sub-20 e na edição 2017 da Copa das Confederações, onde foi utilizado de forma efetiva. Apesar de algumas falhas, como na partida entre Camarões e Alemanha em que o juiz se atrapalhou com uma expulsão na seleção camaronesa, que afetou o resultado da partida, e a demora na decisão de alguns lances, a FIFA estuda introduzir definitivamente o recurso na Copa de 2018, o que prova que é apenas questão de tempo para que se torne uma realidade comum em todo o futebol. Em Portugal, por exemplo, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) planeja fazer uso da novidade na próxima temporada da Liga, visando diminuir os erros cometidos pela arbitragem nas partidas. Já aqui no Brasil, a CBF aguarda apenas o aval da Rede Globo para a aplicação do artifício, que já está previsto em regulamento.

Árbitros são humanos e como tais, estão sujeitos a errarem. E torna-se exagero acreditar que todas as falhas cometidas por eles são fruto de desonestidade pessoal. Entretanto, é importante trabalhar para que todos esses erros sejam revistos e evitados, afinal, podem afetar consideravelmente o curso de um jogo ou de um campeonato, o que tira o protagonismo e o valor do futebol em si, do trabalho duro e da estratégia que faz parte do esporte. Uma das soluções apontadas para o problema seria a profissionalização da arbitragem e uma valorização maior da categoria, o que já é exigido há tempos pela classe. E faz sentido. Mais treinamento e uma melhor assistência por parte das federações tornaria os profissionais mais capacitados e poderia ser capaz de impedir muitos erros.

Mas enquanto isso, a opção do árbitro de vídeo está aqui. Afinal, a tecnologia já faz parte da vida na sociedade de forma muito íntima e não há problemas que isso se estenda aos esportes. Apesar de ainda ser passível de erros, vale correr o risco em nome do esporte: o árbitro de vídeo vale a tentativa.

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