Democracia Corinthiana

Atualizado: 26 de Jul de 2020

De 1981 a 1985, houve um movimento que revolucionou o futebol paulista na época: A Democracia Corinthiana. No ano de 1981, o Corinthians vinha de uma péssima campanha nos campeonatos Brasileiro e Paulista. Em 1982, terminou o reinado de Vicente Matheus, um dos maiores mandatários alvinegro, e Waldermar Pires foi eleito para assumir o cargo de presidente do clube. Pires escolheu um sociólogo como diretor de futebol, Adilson Monteiro Alves, que valorizava o fato de ouvir os jogadores. Aproveitando, os jogadores mais politizados do elenco como Sócrates e Wladimir, iniciou-se a chamada Democracia Corinthiana.


Durante esse período, eram discutidas possíveis contratações, demissões e escalações. Tudo feito de forma igual. Ou seja, o voto tinha peso igual. Entre varias medidas, houve a liberação dos atletas casados da concentração. E esse modelo de autogestão teve efeito, e o Timão faturou o Campeonato Paulista de 82. Além disso, o Corinthians por iniciativa de um dos maiores publicitários e vice-presidente de marketing do clube, Washington Olivetto, estampou nas camisas de jogo, frases de cunho político como “diretas-já” ou “eu quero votar para presidente”. O Brasil vivia um momento complicado devido a ditadura, e o movimento corinthiano causou desconforto entre os militares, que pediram para que o clube maneirasse em suas insinuações. Em 1983, ainda sob o modelo de gestão, foi campeão paulista. Além de quitar suas dívidas e deixar uma boa reserva no caixa do clube. Seu principal slogan era "Ganhar ou perder, mas sempre com democracia". Apesar de toda a veneração ao movimento, recebeu críticas de atletas, que acreditavam que não havia democracia, pois uns jogadores tinham mais voz que outros. Casos de Sócrates, Casagrande e Wladimir, que eram considerados líderes do período.


O time começou a decair nas temporadas de 1984 e 85, e viu times com modelo clássico de gestão destacarem-se no futebol nacional. Sócrates havia deixado o time rumo à Itália e Casagrande foi para o rival, São Paulo. E o então presidente não conseguir eleger o seu sucessor e foi derrotado. Dando adeus àquele modelo de gestão, voltando ao normal, onde os jogadores não possuem tanta voz no clube. A importância da Democracia Corinthians é inquestionável. Um movimento que teve coragem de desafiar a ditadura, mostrando a força que o futebol tem sobre o povo, que naquela época clamava por liberdade.

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