O canto do povo: Baêa, a voz da torcida

Atualizado: Jul 26

Nascido em 01 de janeiro de 1931, o Esporte Clube Bahia é um dos clubes mais tradicionais do Nordeste e do Brasil, com 2 títulos nacionais, 3 regionais e 46 estaduais. O Baêa, como é carinhosamente chamado por sua torcida, possui um hino com letra forte e que faz qualquer torcedor apaixonado enlouquecer e cantar com toda sua energia.

Em 1946, um grupo de torcedores se reuniu e resolveu montar uma torcida organizada, afim de unificar a então pequena torcida do tricolor baiano. Liderados por Amado Bahia Monteiro, os torcedores buscaram alguém para escrever o cantigo. Foi quando o jornalismo Adroaldo Ribeiro Costa entrou na história, ele foi o grande escolhido para dar voz ao que os tricolores queriam falar ao time. Adroaldo elencou tudo que os torcedores queriam expressar para o time e, em pouco tempo, compôs uma das letras mais amadas e cantadas pelo povo baiano. A melodia foi criada pelo próprio Adroaldo e logo depois a música foi entregue a torcida, que se apaixonou e logo começou a cantar nos jogos do Baêa. Apesar do amor entre a torcida e a letra, a organizada não foi para frente e a música foi esquecida.

Quis o destino que, 10 anos depois, ela voltasse a ecoar pelos estádios. Com o crescimento do tricolor, o então dirigente do clube, João Palma Neto, resolveu criar uma campanha para atrair sócios para o clube, para isso achou necessária a criação de um hino. Eis que, mais uma vez, surge Adroaldo Ribeiro Costa, que entregou a canção ao dirigente e doou os direitos autorais para o clube. Vários artistas baianos se reuniram juntamente com a banda do corpo de bombeiros para gravar o hino. A grandiosidade da letra encantou vários clubes, que logo vieram atrás do jornalista, mas ele se recusou a escrever para outros times, alegando que não poderia falar sobre algo que não sentia.


Depois disso, o hino tricolor se popularizou, sendo entoado em todos lugares possíveis, nos estádios, nas ruas e na maior festa da Bahia, no carnaval. O trio elétrico de Dodô e Osmar, no fim da década de 50, começou a tocar o hino do clube, que logo tornou-se uma verdadeira marcha carnavalesca, cantada todos os anos por diversos artistas e aclamada pelos milhões de foliões que ‘pulam’ o carnaval na terra da alegria.

Um dos episódios mais marcantes envolvendo o hino é o famoso show de despedida de Caetano Veloso e Gilberto Gil, em 1969. Os dois tricolores estavam sendo mandados para o exilio e, em um ato de coragem, entoaram o hino em um dos mais famosos teatros baianos, o Castro Alves. Mais do que declarar o amor pelo time do coração, os dois utilizavam dos versos tricolores para desafiar a ditadura: "ninguém nos vence em vibração". O dia 6 de julho de 1969 eternizou a música composta por Adroaldo como um dos clássicos do MPB.

Hoje, o hino tricolor é uma das músicas mais conhecidas pelo povo baiano, ela é amada e contemplada pelos mais de milhões de torcedores espalhados pelo mundo. Cantar o hino do Bahia é declarar um amor profundo, é gritar para todos que você é parte do time, que o time é parte sua... Cantar o hino desse clube é ser a voz do clube, é ser o clube.

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