Catalunha dentro e fora do gramado

Atualizado: Jul 26

Se você é torcedor do Barcelona ou conhece o clube, já ouviu a expressão "més que un club". Vocês já pararam para entender o que essa frase significa? Diante dos acontecimentos recentes na Catalunha, onde o povo está indo às ruas em busca da sua independência em relação à Espanha, é interessante que entendamos a relação do Barcelona com essa luta pela causa catalã, para que possamos compreender a grandiosidade desse clube.

Antes de introduzir ao tema, vamos fazer uma breve contextualização. A região da Catalunha é dividida em quatro províncias: a de Barcelona, a de Girona, a de Lérida e a de Tarragona. No futebol, o time mundialmente conhecido por representar a região é o Barcelona, mas o Espanyol também tem bastante destaque no Campeonato Espanhol. Este ano o Girona subiu para a primeira divisão da La Liga, juntando-se às outras duas conterrâneas. O Fútbol Club Barcelona foi fundado em 1899, e, desde o princípio, o time surgiu como uma forma de celebrar a cultura e o povo catalão. Em seu brasão, o clube utiliza as cores da bandeira da Catalunha e a cruz de São Jorge, padroeiro da região. O Barcelona nasceu para ser o símbolo de um povo e isso se tornou evidente ao longo dos anos. Entre 1939 e 1979, a Espanha viveu sob o regime ditatorial do coronel Francisco Franco, que proibiu a livre expressão da língua, da cultura e da tradição catalã, em uma tentativa de calar todo um povo. É nesse momento que começa uma perseguição ao Barcelona, que teve seu presidente assassinado, o prédio onde ficava seus troféus bombardeado, seu escudo e nome alterados para ficar de acordo com as cores e a língua da Espanha e um homem indicado pelo governo de Franco para assumir o controle do clube. A rivalidade com o Real Madrid cresceu ainda mais nesse período. O time merengue era o clube de Franco, que representava o estado espanhol, por isso o Barça foi obrigado a entregar inúmeros jogos. A luta invadia os gramados e trazia à tona a face ditatorial do governo da Espanha, que além de desrespeitar uma população inteira, fazia do futebol uma arma de opressão. O estádio tornou-se um refúgio para os catalães. Era dentro do Les Cors (1922-1957) e posteriormente do Camp Nou (fundado em 1957), que as pessoas falavam sua língua, cantavam suas músicas e faziam seus protestos. A relação entre o clube e a Catalunha se fortaleceu, aos poucos. Foi a partir disso que o Barcelona começou a se tornar a seleção daquela região com o sonho de liberdade. Mesmo após o fim do regime e com uma constituição que prevê a autonomia catalã, o povo continua em busca da sua independência e o Barça representa essa luta.

Ontem, 1º de outubro de 2017, foi a data do referendo de separação da Catalunha. Foi também o dia em que aconteceu a partida entre Barcelona e Las Palmas, no Camp Nou. Depois de muita confusão e de ameaça da perda de seis pontos no campeonato nacional, o Barça entrou em campo, mas de portões fechados. Um cenário bem estranho, se formos comparar com aquilo de sempre: arquibancadas lotadas, animadas e com a torcida cantando a plenos pulmões. Um torcedor solitário conseguiu burlar a segurança e invadir o gramado como forma de protesto. Logo foi retirado de campo.

Dentro das quatro linhas, a partida terminou com vitória dos catalães. Mas, fora delas, o que será que vai acontecer e como? A luta do povo da Catalunha resiste. E o futebol tem sido uma das grandes ferramentas de unir e manter essas pessoas unidas em um objetivo para além do campo.

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