“No futebol vale tudo” - até quando?

Atualizado: Jul 26

Estou aqui para falar sobre um assunto polêmico: a homofobia dentro do futebol. Se você já ficou incomodadx, sugiro que você pare por aqui. O texto não é para você!

Não! Não é apenas uma provocação gritar “ooooh... bicha” toda vez que o goleiro vai cobrar o tiro de meta. Já passou da época em que era engraçado. Na verdade, nunca foi. “Simples euforia coletiva motivada pela tensão do jogo”. Não, não é uma simples euforia, como disse o presidente do TJD-SP, Mauro Marcelo de Lima e Silva, em 2014.

O grito “bicha” é homofóbico. Ele é usado no sentido negativo, é usado para diminuir o goleiro adversário, como se ele fosse inferior ou algo do tipo. É como se gritassem “ooooh... lixo”. É usado tão negativamente que as pessoas chamam, mesmo que o jogador não seja – mas se for também, indiferente - só para ofender.

“O futebol está chato. Não pode mais nem brincar que já vem os politicamente corretos”. Não, não está chato por este motivo. E deixa de ser brincadeira quando o resultado, muitas vezes, é a morte. “Morte? Nenhum jogador morreu por escutar bicha dentro do estádio”. Não estou falando dos jogadores, mas sim de torcedores. O ódio que vem junto com o grito “bicha”, se transforma em agressões fora do estádio.

O motivo das agressões? Ser homossexual. Então o futebol não está chato por causa dos politicamente corretos, está chato pela homofobia. Chato é ser homofóbico. É ter esse preconceito e jurar que não tem. Chato é chamar um jogador de “bicha” como se fosse um xingamento. E não, não vem dizer que sou eu quem está enxergando o preconceito onde ele não existe. Porque ele existe. E já passou da hora dele acabar.

“Ah, não é xingamento, é só para provocar”. Não é xingamento? Então me explica a situação que o ex-goleiro Rogério Ceni vivia nos jogos, ou melhor, nos Majestosos. Toda vez que ia cobrar o tiro de meta, aquele coro “oooo..., bicha”. Por que gritavam? Para menosprezá-lo! Você querendo ou não aceitar, ele foi um excelente goleiro, e além de tudo, fazia gol. Sim, ele já fez gol contra o seu time, e isso te incomoda. Muito! Então uma maneira de tentar diminuí-lo, era chamando-o de bicha. Ou até mesmo há quem o chame de Rogéria. Sim, Rogéria.

Mas quer saber o que ainda é mais chato? É um homossexual não se sentir à vontade dentro do estádio de futebol. Chato é ele correr o risco de apanhar só por ser gay. Isso é chato! E eu nem vou entrar na questão dos rivais que chamam os são paulinos de “bambis”. Sim, quem chama, chama com a intenção de menosprezar, de xingar. “Pra cima delas”? Seu time não vai jogar contra uma equipe feminina, queridxs. Os jogadores não são gays, mas se fossem também, qual o problema? Seu time é superior por causa disso?

Não vou me aprofundar mais. Talvez eu volte a escrever sobre o assunto, ainda não sei. Mas se há um pedido que eu posso fazer para você, que leu até aqui, lá vai: Se você vai ao estádio, não faça parte do coro que grita “oh bicha”. Por favor. E também não ache que no futebol vale tudo, porque não vale. A homofobia é um problema sério. Vidas estão em jogo.

E para deixar claro, você não precisa ser homossexual para lutar pelo direito deles. Da mesma forma que você não precisa ser mulher para lutar pelo direito delas. E se você é mulher, sabe como é difícil viver em uma sociedade machista. Além de minoria, somo tratadas como inferiores no mundo do futebol. Eles – os homossexuais – também. Mas sabemos que, na verdade, não passa de um preconceito. De um enorme preconceito que está inserido na sociedade, e nem nos damos conta.

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