O amor à camisa: mais que profissional, um de nós

Atualizado: 25 de Jul de 2020

O que antes era prática restrita das elites brasileiras, popularizou-se. O futebol alcança as classes mais pobres, gerando o debate em torno da sua profissionalização por volta dos anos 30. De um lado, tínhamos quem defendesse o esporte como puro e simplesmente lazer, discursos também enrustidos por um desejo de manter o futebol abastado e branco. De outro, tínhamos quem desejasse tornar do futebol meio de vida, visto a necessidade de manter-se.

Existe amor em um esporte que se tornou produto? Na verdade, é o amor que nos move ou deveria mover. Válvula de escape das mazelas sociais, o futebol universalizou-se. Deu a chance do garoto pobre sonhar em alcançar uma vida melhor fazendo o que ama. É por amor que tudo começa. Começamos torcedores, e alguns têm a oportunidade de fazer um pouco mais, conseguindo estar ali dentro das quatro linhas representando uma multidão que, das arquibancadas, vibra com seu toque. O futebol é profissional, mas também é coração. É esse o nosso fascínio. É por esse motivo primário que somos atraídos.

É por isso o meu encanto com os jogadores-torcedores, os que estão quase em extinção. Aqueles que jogam com respeito por vários clubes, mas só beijam um escudo. Os que não escondem o hino pelos quais seus corações pulsam mais fortes ao ouvir. Não esquecem de onde vieram e nem a paixão que os trouxe até aqui. Os que carregam consigo o menino que vibrava com o toque de outros tantos jogadores. Os que desejam aposentar-se nos mesmos campos que os revelaram. Aqueles que não deixam o amor de lado e não fazem questão de escondê-lo, porque ser torcedor é para sempre.

O torcer é o que deixa o futebol mais bonito, desperta nossas emoções, as euforias, os pesares, as decepções e as paixões desenfreadas. É singular o encontro do torcedor na arquibancada com aquele torcedor que está ali dentro do campo. É a identificação do amor que ambos sentem, na mesma intensidade.

(Esse texto é dedicado ao jogador Mota, torcedor e ídolo do Ceará. São as lembranças das comemorações dos gols seguidos com um beijo no nosso escudo e um grito de "eu amo esse time, p****" que me fazem perceber o encanto que há no esporte. Obrigada por ser mais um de nós).

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