Consciência Negra – Vasco, o pioneiro na luta contra o racismo no futebol

Atualizado: Jul 26

20 de novembro é o dia da Consciência Negra, a data é em homenagem a Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares. Mas também é dedicada a lembrar de todas as dificuldades que os negros passaram, não só na época da escravatura, mas ao longo dos séculos. E para falar desse dia não podemos esquecer do Vasco, que é um dos clubes que se destacam quando nos lembramos da relação racismo x futebol e de uma forma positiva.

Desde sua criação, o Vasco sempre foi uma entidade democrática, para começar por suas cores (preto, branco e vermelho), que se encaixa na ideia de miscigenação de etnias. Em 1904, Cândido José de Araújo foi eleito presidente do clube, o primeiro negro, e lutou constantemente contra o racismo e outros preconceitos dos anos 20, e com isso ele contribuiu muito para que o futebol deixasse de ser um esporte elitista, além disso ele foi o único a resistir e enfrentar o sistema da época.

O Cruzmaltino foi fundado por portugueses, mas se diferenciava de outros clubes criados pelos lusitanos porque eles também aceitavam brasileiros na equipe, e o único critério para ser convidado a integrar a equipe era “saber jogar bola”. Em 1923 foi o primeiro campeão da 1° divisão do campeonato carioca com um time composto por negros.

Isso gerou uma revolta dos times tradicionais (América, Botafogo, Flamengo e Fluminense) que criaram em 1924 uma nova liga, a Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA) e pelas novas regras da entidade, jogadores precisavam ler, escrever, e provar que estudavam ou tinham empregos de elite. A AMEA exigiu que o Vasco banisse de sua equipe 12 jogadores, não só negros, como operários, por não atenderem os requisitos. O presidente do Vasco, José Augusto Prestes, assinou um ofício no dia 7 de abril daquele ano, desistindo de participar da nova liga que foi criada.

Com essa decisão o Vasco permaneceu na antiga liga (LMDT), ao lado de outros clubes que também foi contra as decisões, e foi campeão novamente. A equipe ainda não possuía um estádio, e após a mobilização de torcedores e jogadores, o São Januário foi construído, e inaugurado no dia 21 de abril de 1927.

E após um acordo entre o clube e a AMEA, em 1928, o Gigante da Colina manteve seus atletas, pobres, mulatos e negros, e entrou na história do futebol brasileiro como a equipe que mais lutou pela inclusão nesse esporte.

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