De uma estrela, nasceu uma galáxia

Atualizado: Jul 26

Dois Campeonatos Argentinos, três Campeonatos Colombianos, uma Copa da Colômbia, duas Pequenas Taças do Mundo, um Mundial Interclubes, cinco UEFA Champions League, nove títulos do Campeonato Espanhol e uma Copa del Rey. O currículo riquíssimo – principalmente em sua parte final – entregam o dono: Alfredo Di Stéfano, um dos melhores jogadores de todos os tempos.


Nascido em Buenos Aires, Di Stéfano viveu uma infância simples e teve seu primeiro contato com o futebol quando ainda nem imaginava se destacar tanto no esporte; o argentino queria ser, antes de tudo, aviador. Mas tamanho talento não poderia ficar escondido por tanto tempo e logo o destino tratou de colocá-lo no caminho certo. O futuro astro fez um teste no River Plate e nem precisou pensar em outras tentativas: já estava no time. Permaneceu no time até chegar à equipe principal, em 1945, ano no qual o River conquistou o título argentino. Mas a futura estrela nem chegou a participar ativamente da campanha e, com pouco espaço, foi emprestado para o Huracán, onde marcou os primeiros gols de sua carreira em uma partida contra o San Lorenzo. Foi no time do Parque Patricios que Di Stéfano teve a chance de se desenvolver como jogador; em uma temporada, o centroavante marcou 10 gols em 25 partidas.

No ano seguinte, La Saeta Rubia voltou ao River Plate, onde teve mais espaço para brilhar, e assim o fez. Titular absoluto, o atacante marcou 27 gols naquele ano, tendo sido uma importante peça na conquista do título nacional de 1947 pelo time e conquistando também a primeira artilharia de sua carreira. Aquele retorno aos Millonarios, porém, durou pouco. Os jogadores da Argentina realizaram naquela época uma série de protestos exigindo melhores condições de trabalho e, como não foram atendidos, mudaram-se. A Flecha, por sua vez, voou até parar na Colômbia, no Millonarios. Lá, Di Stéfano ficou até 1953 e conquistou o tricampeonato colombiano, além da Copa da Colômbia e da Pequena Taça do Mundo e também ter sido o artilheiro em 1951 e 1953. Ao fim daquele ano, o atacante deveria retornar para o seu antigo clube devido à um acordo realizado pelas federações argentinas e colombianas, mas algo esteve no caminho do artilheiro e do River Plate.

O Real Madrid havia esbarrado com Di Stéfano pela primeira vez em 1952, em um amistoso contra o Millonario, no qual o argentino marcou 2 dos 4 gols da vitória colombiana sobre o espanhol. O tempo passou, mas o interesse do clube madrilenho permaneceu. Entretanto, outro grande time passou na frente e tentou negociar com o River Plate pelos direitos do jogador, o Barcelona. O Real, por sua vez, tratou o acerto com o Millonarios e se dispôs a brigar com o catalão pela posse da Flecha Ruiva. A FIFA sugeriu um acordo entre os dois clubes, no qual o argentino teria que disputar temporadas alternadas em cada time, porém, a própria estrela decretou a sua ida para os Galáticos, dando início não só à uma potente rivalidade, mas também a um dos períodos mais memoráveis do futebol espanhol e mundial.

Apesar de já ter se destacado em seus clubes anteriores, foi no Real Madrid que Di Stéfano se tornou a lenda que é conhecida até hoje. Logo em sua temporada de estreia, La Saeta Rubia se tornou artilheiro do campeonato espanhol com 29 gols e ajudou a equipe madrilena a conquistar o título nacional naquele ano – o terceiro de sua história num período em que o hoje gigante europeu ainda não era gigante. No ano seguinte, veio o bicampeonato, conquista que concedeu ao Real Madrid a oportunidade de participar da primeira edição da Liga dos Campeões da UEFA, torneio que foi conquistado pelos espanhóis após vencer o Reims de virada. No ano seguinte, os Merengues conquistaram o bi da Europa, dessa vez, vencendo a Fiorentina.

O sucesso em terras espanholas motivou o craque a naturalizar-se espanhol. Jogando pela Fúria, ele marcou 23 gols em 31 jogos, mas não deixou de brilhar em seu time. No fim dos anos 50, ajudou o Real Madrid a conquistar o campeonato espanhol por duas vezes seguidas e o tricampeonato europeu, edição na qual o centroavante marcou 10 gols. Na temporada 1958-59, o húngaro Ferenc Puskás se juntou ao elenco de ouro e, junto com Di Stéfano, levou o clube às alturas: naquele mesmo ano conquistou o tetra da Champions League e, na temporada 1959-60, o penta, mas dessa vez com um gostinho ainda melhor: batendo o rival Barcelona nas semifinais. E não parou por ai: em 1960, O Real de Di Stéfano foi o vencedor da primeira edição do Mundial, derrotando o Peñarol do Uruguai.

Na década de 60, vieram mais quatro títulos nacionais, mas o time foi saindo, aos poucos, dos holofotes, assim como o próprio Di Stéfano, que com 38 anos e perdendo espaço no time onde fizera história, transferiu-se para o Espanyol, rival local do Barcelona, onde permaneceu por apenas 2 anos até encerrar sua carreira e infelizmente não teve um desempenho tão bom como em seus outros clubes – especialmente o último. Logo após pendurar as chuteiras, a Flecha ressurgiu como treinador, passando por diversos clubes incluindo o próprio Real Madrid em duas ocasiões; em 1982-83 e em 1990-91. Do lado de lá da linha do gramado, conquistou alguns títulos pelo Boca Juniors, Valência, River Plate e pelo Real, mas ele brilhou mesmo foi com a bola nos pés. Apesar disso, o ídolo nunca chegou a competir em uma Copa do Mundo, sendo lembrado com o único dos grandes jogadores de sua época a não participar de um Mundial.


Levando em conta tamanha genialidade, quem perdeu, na verdade, foi a própria Copa. Membro do Hall da Fama da FIFA, vencedor da Bola de Ouro por duas vezes e da Super Ballon D’Or como melhor jogador das últimas três décadas, Di Stéfano deixou um legado tão importante no futebol que foi nomeado, em 2000, presidente de honra do Real Madrid, título que levou consigo até a sua partida em 2014, aos 88 anos. Porém, não antes de ver outras importantes conquistas de seu clube, principalmente a La Decima. Na história centenária do Real, a Flecha Ruiva pode ter sido uma dentre várias estrelas, mas sem dúvidas, foi a principal responsável por torná-lo galáctico.

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