San Siro, a casa de dois gigantes

Atualizado: Jul 26

No meio do futebol brasileiro há a máxima de que “time grande tem estádio”. Por aqui, times de grande, médio e pequeno porte têm a dádiva de ter uma casa para chamar de sua, mas ainda há muitas exceções. E os que não têm, especialmente os que fazem parte da elite do futebol brasileiro, sofrem – na mão dos rivais e também com as desvantagens financeiras de não ter um estádio próprio, já que a posse é uma renda a mais para o clube. Porém, no futebol mundial, há muitos exemplos que quebram essa “regra”, já que muitos times que são considerados os maiores do mundo não têm uma casa própria e particular. O maior dos exemplos é um gigante de 91 anos, localizado na Itália, e que há mais de 70 anos abriga outros dois igualmente gigantes do futebol:


Milan e o Internazionale.

Construído nos anos 20 por iniciativa do presidente do Milan na época, Piero Pirelli, o San Siro recebeu esse nome devido ao fato de ter sido alocado no distrito da cidade italiana de mesmo nome. O caldeirão foi inaugurado em setembro de 1926 após um ano de obras, e o primeiro jogo a estreá-lo foi justamente mais uma edição do Derby Della Madonnina, o clássico entre Milan e a Inter de Milão, que foi vencido pelo time nerazzurri por 6 a 3. Inicialmente, o estádio tinha estrutura para receber cerca de 35 mil espectadores, mas aos poucos a sua capacidade foi sendo expandida (e reduzida quando alcançou a marca de mais 100 mil lugares) até chegar ao número atual de 80 018, que o coloca hoje entre os 20 maiores estádios do planeta.

Na época de sua inauguração e nos anos seguintes, o grandão pertenceu exclusivamente ao rossonero, mas a partir da década de 40 também passou a receber as partidas da Inter de Milão, maior rival do até então único dono da casa. O estádio passou a ser de posse da prefeitura de Milão cinco anos antes, em 1935, e a contar com a administração dos dois anfitriões. Desde então, a Ópera do Calcio reúne de forma assídua e contínua em suas dependências dois times de rivalidade forte e histórica, o que em alguns lugares hoje parece inimaginável. O Milan, cujo nome completo é Associazione Calcio Milan, foi fundado em 16 de dezembro de 1899 por um grupo de ingleses e suíços na Itália. Adquiriu popularidade com o passar dos anos, mas apesar de suas origens estrangeiras, conflitos nacionalistas começaram a criar um clima tão negativo que culminou, em 9 de março de 1908, com uma cisão de deu origem ao Football Club Internazionale Milano.

O Derby della Madonnina recebeu esse nome devido à estátua da Virgem Maria presente no topo da Catedral de Milão. A primeira partida entre os dois clubes ocorreu em 18 de outubro de 1908, ano de fundação da Inter, e terminou com vitória do time rubro-negro por 2 a 1. Atualmente, o Milan é o maior vencedor do clássico, com 116 vitórias em 307 jogos, contra 109 triunfos do Internazionale. A última partida dos dois gigantes do futebol italiano foi no fim do ano passado, em 27 de dezembro, jogo válido pelas quartas-de-final da Copa da Itália. A disputa foi vencida pelo Milan por 1 a 0, com gol de Patrick Cutrone aos 13 minutos da primeira parte da prorrogação. Classificado para a semifinal, o rossonero enfrentará o Lazio e vê na conquista do título um alento à fase difícil que tem vivenciado no Campeonato Italiano, no qual atualmente é apenas o 11º colocado.

Apesar de ser popularmente conhecido como San Siro, já que esse também foi o nome que o caldeirão recebeu em sua fundação, ele na verdade se chama Estádio Giuseppe Meazza, nome que recebeu em 1980 como forma de homenagem ao grande jogador italiano bicampeão mundial com a Azzurra e tricampeão nacional pelo Internazionale, que havia falecido no ano anterior. Entretanto, a rivalidade fala mais alto na hora de chamar a casa, e há divergência nos nomes dados ao estádio pela torcida; os milaneses o chamam de San Siro, já os torcedores da Inter ficam com o nome de Giuseppe Meazza, apesar de que San Siro também acaba sendo a opção principal dado a popularidade do nome, que é bem neutro se comparado ao nome oficial do estádio.

De acordo com alguns sites italianos, os dois times pagaram para jogar no templo do futebol italiano por longos anos: entre 1935 e 1999. Porém, desde então os dois se tornaram completamente responsáveis pelo San Siro, que dividem até os dias atuais, sobretudo nos clássicos que disputam. Motivados pela inciativa da Juventus, que inaugurou um estádio próprio em 2011 e foi apenas o segundo italiano a buscar tal autonomia, Inter de Milão e Milan estudaram a ideia de planejar um estádio próprio também, mas até o momento, nada realmente concreto surgiu, já que a questão financeira foi o principal empecilho para ambos os clubes. A prefeitura de Milão já se prepara para uma possível partida dos dois gigantes do calcio italiano; o principal plano para o San Siro no caso dos dois times construírem arenas próprias é transformá-lo em patrimônio cultural da cidade e também do país, mas a ideia de ver um verdadeiro templo ser transformado em um “elefante branco” não agrada. Por isso, a prefeitura milanesa estuda com os dois times ideias e propostas de reformas e modernizações que agradem ambos e colaborem com a continuidade de uma arena histórica.

Apesar de ser reconhecida por ser a casa de dois grandes clubes, o San Siro também tem mais história para contar. O estádio sediou diversas partidas das duas edições italianas da Copa do Mundo, em 1934 e em 1990, além de ter recebido quatro finais da UEFA Champions League. A última foi na edição 2015-16 do torneio continental, do qual o espanhol Real Madrid saiu vencedor, pela 11ª vez. Mas quando se fala em San Siro, ainda é nos rossoneri e nerazzurri que se pensa. Se a tendência do futebol moderno é que cada vez mais clubes adquiram suas próprias arenas, pelo bem do futebol e de um verdadeiro templo do esporte, a modernidade bem que pode esperar mais um pouco para alcançar Milão.

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