Nasce uma torcedora

Atualizado: 26 de Jul de 2020

A novela acabou mais cedo. Droga. Era dia de jogo de futebol. Meu irmão vibra ao lado, parecia que aquele seria um jogo importante. O sofá está confortável, acho que vou ficar mais um pouquinho aqui. O narrador inicia a transmissão do segundo jogo das quartas de final da Copa do Brasil de 2011. Era Ceará x Flamengo. Há alguns anos atrás quando cheguei em casa contando que uma amiguinha torcia Fortaleza, meu pai me disse com firmeza que eu torcia Ceará. Ok, meu time era o Ceará, ele estava jogando naquele dia, minha novela havia acabado mais cedo e eu estava ali a toa.

O Ceará jogava por um empate, por conta da vitória no primeiro jogo. Vamos lá, o arbitro apita o inicio da partida. 19 minutos do primeiro tempo e o Flamengo abria o placar. 28 minutos e o Flamengo ampliava o placar. O narrador entra em êxtase e comemora aquela que seria a classificação do time rubro-negro (porque cá entre nós, a gente sabe quem a rede globo preferia que se classificasse). Não era possível que minha novela tinha acabado mais cedo pra isso.

O olhar do meu irmão, fixado na televisão, era de decepção. Igualzinho ao olhar dos que estavam na arquibancada do Estádio Presidente Vargas. “Mas calma, ainda tá no primeiro tempo, ainda dá pra levar mais”. É, acho que não ajudei. Mas ainda havia tempo para acontecer muito mais. O futebol é isso, muda em questão de segundos.

O jogo continua. 35 minutos do primeiro tempo e gol do Ceará. 41 minutos do primeiro tempo e empate do Ceará. Era o resultado que precisávamos. Washington não era tão conhecido quanto Ronaldinho Gaúcho, Thiago Neves e o “bonde sem freio” do Flamengo, mas naquele dia ele foi o autor dos dois gols do time classificado, era ele o nome do jogo.

Os meus olhos ficaram tão fixados naquele jogo quanto os do meu irmão. A televisão mostrava a imagem da torcida do Ceará vibrando loucamente na arquibancada. A emoção tomava conta em qualquer lugar. Eu, com os meus treze anos de idade, só conseguia pensar “esse é o time que vou torcer pelo resto da minha vida”. Meu pai tinha razão, ele sempre tem, eu torcia Ceará.

Dentre tantos jogos marcantes, esse foi o mais importante da minha vida. Depois desse jogo, tive a oportunidade de presenciar infindáveis momentos lindos da arquibancada. Mas aquele dia, no sofá da minha casa, aconteceu um dos encontros mais especiais da minha vida, ali descobri o meu “eu torcedora”. Aquele 11 de maio de 2011, aquelas quartas de final da Copa do Brasil, aquele Ceará x Flamengo, aquela “carroça desembestada” que vencia o “bonde sem freio”, aqueles dois gols de Washington e aquela torcida que continuou acreditando até o último minuto abriram caminho para um mundo que eu desconhecia. E fizeram o meu mundo completamente alvinegro. E bem mais feliz.

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