Posso falar da Mocidade?

Atualizado: Jul 26

Meu coração é metade azul, metade verde. Antes que estranhem a combinação de cores frias, explico: o azul é pelo meu time, o Cruzeiro; o verde, pela minha escola de samba, a Mocidade. Acompanho esses meus dois amores o ano inteiro, de longe, torcendo do jeito que dá. Aí chega o Carnaval, vai chegando a hora dela entrar na Sapucaí e acontece uma coisa estranha: de domingo até quarta o verde domina meu coração.

Por isso, ao perceber que estava chegando a hora de escrever essa coluna, mandei mensagem para uma das editoras: “Posso falar sobre a Mocidade?”. A resposta positiva não veio à toa - a escola nasceu por causa do esporte. “Independente Futebol Clube”, era um time de futebol amador dos muitos que existem por esse país, nascido na zona oeste do Rio de Janeiro.

O que dizem por aí está certo: o futebol é bom em unir pessoas. A Mocidade não existiria não fosse a criação desse time. O verde e branco na camisa rendeu o apelido “Arroz com couve”; os batuques nas comemorações das vitórias deram origem a um novo bloco de Carnaval. Não demorou muito, tornou-se uma escola de samba. Em 1956 fez seu primeiro desfile; em 1959 já estava no Grupo Especial, de onde nunca saiu. “Mocidade Independente de Padre Miguel” - nome imponente, assim como a escola.


Ah, Mocidade... Quem diria que a escola que nasceu nas quatro linhas teria tanto a contribuir no mundo do samba? Além de desfiles memoráveis e sambas inesquecíveis, a escola - com o saudoso Mestre André - inventou a paradinha na bateria, foi a primeira a tornar oficial o posto de madrinha de bateria, motivou a criação da Liga das Escolas de Samba, é escola de chão forte e com uma história digna de respeito. A Mocidade é gigante, eu sempre soube. Mas muita gente percebeu só no ano passado.

Para exemplificar, 2017 para o torcedor independente foi algo parecido com o 2013 do atleticano, o 1977 do corintiano, o 1993 do Palmeiras… Foi o ano de redenção, em a Mocidade retomou o lugar que a história aponta como dela, protagonista, dona da imagem do carnaval, memorável, linda. E isso não diz respeito a título, isso é sobre olhar o desfile e identificar a alma da sua escola nele.

Mocidade, eu conheço sua história, eu ouvi falar sobre sua grandeza. Mas hoje eu estou vendo, estou vivendo isso: eu saio nas ruas no interior de Minas Gerais e as pessoas estão tocando o seu samba de 2018, eu falo em título e ninguém ri, eu digo “Mocidade” e ninguém pergunta qual. Não foi sempre assim, principalmente por estar em um meio em que os desfiles das escolas de samba não são tão populares. No entanto, desde que o Aladim voou na nossa comissão de frente ano passado as pessoas sabem quem você é, elas te respeitam, agora elas conhecem a sua grandeza. E a sua origem. “Era só um time de futebol” - e foi essencial para a história do Carnaval carioca. Salve o futebol! Salve o samba! Salve a Mocidade!

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