Aos sete irmãos que se foram

Atualizado: 26 de Jul de 2020

25 de novembro de 2010. Se você é torcedor do Esporte Clube Bahia irá lembrar dessa data, vai lembrar da dor e de como aquele dia foi complicado para a nação tricolor. O Baêa estava disputando a Série C naquele ano, o time buscava o acesso para a segunda divisão, 60 mil pessoas (segundo a PM, havia mais) estavam na Fonte Nova para acompanhar aquele momento, o adversário era o Vila Nova e a festa já estava planejada para ser realizada assim que o jogo acabasse.

A partida estava empatada e aquele empate nos levaria a Série B, a torcida vibrava, cantava, era um verdadeiro caldeirão, quem foi a antiga Fonte Nova sabe que aquela atmosfera era surreal. Tudo parecia perfeito, mas quis o destino que aquele dia terminasse em tragédia. Aos 25’ da segunda etapa, um clarão foi visto no anel superior da arquibancada, próximo a torcida BAMOR, parecia um principio de confusão, mas o que tinha acontecido era algo que ninguém poderia imaginar, a arquibancada cedeu, desabou e derrubou 30 torcedores, desses 11 despencaram de 20 metros de altura.

O jogo continuou as pessoas não faziam ideia do que havia acontecido, os jogadores continuavam dando a vida em campo, o canto da arquibancada continuava, apenas os que estavam próximo tinham noção da gravidade. O juiz apitou e a partida acabou, 0 a 0, o Tricolor subiu e a festa era enorme, invadiram o gramado, derrubaram o alambrado. Uma das torcedoras que estavam lá naquele dia, Patrícia Goes, contou que foi uma das pessoas que estiveram no gramado, ela estava eufórica, reparou que o local onde a BAMOR deveria está, havia apenas um clarão, mas ainda não tinham notícias de nada, ela era só alegria e a emoção tomava conta, o trio elétrico estava preparado para dá continuidade ao carnaval fora de época. Segundo Patrícia, ela soube o que aconteceu já na ladeira da Fonte, cerca de 45’ depois do ocorrido e o que era felicidade, se tornou tristeza.

Márcio Santos, relatou que encontrou alguns amigos antes de entrar no estádio, uma das vitimas estava naquele grupo, eles “resenharam” e se separam ao inicio da partida. Segundo ele, algumas pessoas tentaram alertar que algo havia acontecido, mas não deram atenção. Um primo se machucou, ele viu uma conhecida estirada no chão, essa cena e tudo que se sucedeu depois marcou sua vida e a dor o acompanha até hoje. Esses relatos são para tentarmos compreender o que o torcedor viveu naquele momento, como foi à mistura de sentimentos daquele dia, a alegria que foi substituída por uma dor que até hoje não sarou.

Perdemos, eu e todos os tricolores perderam, sete vidas, sete irmãos de arquibancada, sete pessoas que tinham amor ao clube, e que estavam ali para viver um momento de glória depois de tantos anos de sofrimento que havíamos passado entre a série C e B, e a ausência de títulos. Todos que se foram naquele dia merecem cada homenagem, cada lembrança, tudo que o Bahia e a torcida podem oferecer. Hoje, completam-se 11 anos do pior momento que o clube viveu, 11 anos que ninguém consegue explicar o que aconteceu na Fonte Nova, 11 anos de dor e saudade.

Jadson Celestino, Djalma Lima, Anísio Marques Neto, Joselito Lima Júnior, Midiam Andrade Santos, Márcia Santos Cruz e Milena Vasques Palmeira, eu sempre digo isso, mas devo escrever aqui, para aqueles que sempre vibraram e cantaram pelo Baêa, 1’ de silêncio é muito pouco, mas é o que nós, torcedores e torcedoras, podemos e faremos na partida de domingo. Eu trocaria o acesso por essas vidas, trocaria qualquer triunfo. Que vocês escutem de onde quer que estejam que não esquecemos e que continuamos amando esse clube como vocês amaram. PARA SEMPRE serão parte de nós.

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