A superação do câncer de mama com a fé no esporte


"Canomama, grupo de canoagem para mulheres mastectomizadas"

Canomama


Uma notícia que poderia simbolizar o fim, mas a sede de vida fez com que fosse o início e por isso, muitas mulheres não vivem o final ainda em vida, é o Canomama Dragon Boat. Tudo começou com a Larissa Lima, atleta desde os nove anos, iniciou a vida esportiva no handebol, em seguida foi atleta de corrida de aventura e bicicleta de montanha. Por causa da corrida de aventura começou a treinar canoagem, remou em várias embarcações em 2014, chegou a fazer prova de 75 km de canoa na Polinésia. Mas aos 40 anos, ainda em 2014, foi dia diagnosticada com câncer de mama.

“Nas férias viajei para a praia e notei um nódulo achei que era menstruação, esperei para ver se sumia. Não sumiu. Daí eu resolvi investigar”, afirmou Larissa.

A atleta fez ecografia mamária e mamografia, três nódulos foram encontrados, então iniciou o tratamento, foram três cirurgias sessões de quimioterapia. Larissa terminou o tratamento em novembro de 2015 e iniciou a jornada para realizar o projeto social. O bote dragão é uma embarcação símbolo do câncer de mama, é um barco para 22 pessoas.

Durante o tratamento, Larissa viu na canoagem havaiana a possibilidade de resgate e reabilitação de mulheres mastectomizadas, um procedimento que retira a glândula mamária. O Canomama é baseado no projeto “Abreast in a Boat”, que surgiu no Canadá e prevê o acompanhamento das participantes por fisioterapeuta, psicólogo, preparador físico e nutricionista de graça, é um grande trabalho voluntário.

Tudo começou há três anos quando Adriana Bartoli, representante da International Breast Câncer Paddleres Comission, IBPC, desejou fomentar a formação de equipes de canoagem no bote dragão, de mulheres sobreviventes do câncer de mama. Adriana fez uma reunião com profissionais no país e um deles era Marcelo Bosi, treinador da Larissa. E juntos, Marcelo e Larissa buscaram formar uma equipe de voluntários para montar o primeiro time no Brasil. Assim nasceu o Canomama Dragon Boat.

“É a sincronia do universo que fez tudo acontecer. Somos imbuídas do espírito da união, formamos a associação que é sem fins lucrativos para desenvolver atividades com mulheres sobreviventes no Distrito Federal” enfatizou Larissa.

Atualmente estão no começo da segunda turma do projeto social, com 12 mulheres, já formaram 24 e são 11 na composição do time oficial da Associação. Larissa treina 6 vezes na semana e o projeto atende às meninas três vezes por semana, no lago Paranoá em Brasília. Além de aumentar a formação da rede de apoio para às mulheres, vítimas do câncer de mama, a atividade física também atua na prevenção de doenças, mas a canoagem reduz a incidência de desenvolvimento do linfedema, acúmulo de líquido linfático no tecido adiposo, entre mulheres que passaram por cirurgia mamária.

Mas além dos benefícios da atividade física, estar perto da natureza e em contato com o lago trás sensação de felicidade e melhora da autoestima. É quando a autoestima e o amor próprio estão presentes o ser humano produz hormônios anti- estresse e por isso alcança melhoria da qualidade de vida. Ainda segundo a fisioterapeuta em oncologia, Nádia Gomes, a remada demanda gasto de energia e assim ajuda às mulheres a manterem o IMC, índice massa corporal, dentro do padrão. A gordura é ligada ao fatores de risco, de reaparecimento e de piora do linfedema, sequela de mulheres que esvaziam a axila.

Alguns estudos mostram que o exercício diminui o braço das pacientes que possuem linfedema, inchaço crônico no braço, 30% das mastectomizadas evoluem com essa complicação. A remada é uma forma de prevenção para inchaço do braço, pois mantém o membro mais forte para as atividades do dia-a -dia. Para muitas mulheres é uma verdadeira revolução, já que chegam a ouvir que existe a possibilidade não conseguirem carregar uma bolsa.

“A remada vai manter forte os músculos que são mexidos durante a cirurgia da mastectomia, como os peitorais e o grande dorsal, trazendo menos incômodo no dia-a-dia".

A prática também proporciona maior mobilidade a prótese para às mulheres que fizeram a reconstrução da mama e facilita a movimentação do braço sem incômodo. Auxilia na recuperação da sensibilidade do braço devido aos estímulos de texturas como a roupa, água e o colete na região.

Após a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia, muitas mulheres sentem a fadiga oncológica, uma sensação de cansaço, exaustão física e emocional relacionada à doença e ao tratamento, elas sentem falta de energia e perda de interesse por atividades prazerosas, além de sensação de fraqueza, dispneia, dor, alterações de paladar, prurido, lentidão, irritabilidade e perda de concentração e isso pode exercer influência direta em aspectos de ordem psicológica, fisiológica, comportamental, social e familiar, prejudicando a qualidade de vida. O Remo por ser uma atividade aeróbica auxilia para que elas não sintam essa famosa fadiga oncológica.

Nádia Gomes, entrou no projeto após ser convidada por uma integrante do grupo, a ideia era fazer algo diferente dos outros projetos, que já existiam no mundo. A proposta era ter uma quadro de profissionais da saúde que atuassem em conjunto.

“Eu faço a triagem delas, avalio para saberem se estão aptas a poderem participar naquele momento ou se precisam fazer reabilitação e entrarem em uma oportunidade futura” explica a profissional.

Para fazer a triagem com segurança, Nádia também começou a remar, pois acredita que precisava praticar o esporte para poder saber como fazer sem risco de lesão. Em todas às turmas nunca tiveram complicações. Muitas mulheres entram em contato com outras que passaram pelo menos diagnóstico e tratamento no Canomama.

“Eu quis participar pois amo minha área e tudo que engloba ela. Vi no projeto algo muito nobre , uma outra forma de inserir novamente essas mulheres a sociedade além dos benefícios físicos que ele traria. A gente ganha muito estando no projeto. Uma paciente do projeto, em 2 anos de tratamento nunca tinha tido contato com outras mulheres que passaram pelo mesmo diagnóstico e tratamento. Ela me falou com os olhos cheio de água que era a primeira vez desde o diagnóstico que não sentia sozinha. Outra paciente me abriu um sorriso tão grande e me disse " Dra, a senhora não sabe o quanto esperei por esse dia, estão tão feliz!". Acho que essas experiências, dinheiro nenhum paga.” - Completou Nádia.

E hoje o lago Paranoá em Brasília, acolhe às mulheres que tiveram o câncer de mama e encontraram na remada, uma forma de reabilitação para o fortalecimento dos braços mas também um grupo de apoio emocional e esperança que há vida após o câncer. Em 2017 o grupo chegou a participar na Itália, de um campeonato de remo com mais 6 mil mulheres que tiveram câncer de mama, foram 197 equipes e 26 países. O canomama venceram 3 das 4 modalidades que participaram.

REMADA ROSA

A remada rosa é outro projeto e existe desde 2014, é um evento de conscientização, um apelo ao Outubro Rosa com foco na prevenção. Voltado para o incentivo a prática esportiva, alimentação saudável e equilíbrio emocional.


Na Remada Rosa são vendidas camisetas para financiar o evento e o lucro é todo doado para o Projeto Canomama, que realiza algumas atividades na Remada Rosa para divulgar o projeto. Fazem oficina de coroas e colares havaianos, com flores naturais e executam a regata festiva, seguida de passeios de canoa havaiana para os visitantes do evento conhecerem um pouco do esporte.

Priscila Martins, criadora da Remada Rosa, criou o projeto por causa da irmã, Sarah Martins, que teve câncer de mama e estava em tratamento de quimioterapia em 2014. Com isso, se aproximou de várias pessoas, vítimas do câncer de mama e enxergou a oportunidade de ajudar.

“Eu era atleta do SUP e vi que no Litoral já se fazia a Remada Rosa”, afirmou Priscila.

Na mesma época que Sarah, irmã da Priscila estava em tratamento, a Larissa, do projeto Canomama, também estava. Priscila resolveu fazer uma homenagem para ela e a irmã. Além de acreditar que seria uma forma de chamar atenção para a causa. A remada rosa colore o lago mostrando que é possível vencer o câncer de mama.

“Eu achei demais! O evento é uma forma de alertar outras mulheres sobre a possibilidade de ocorrência da doença e da importância do diagnóstico precoce". Além disso, promove o apoio e compreensão de quem está passando pelo tratamento. Eu recebi muito carinho e apoio das pessoas próximas durante todo o meu processo e esse evento dissemina esse carinho que recebi", salientou Sarah Martins, sobre ter recebido a homenagem da irmã.

#CanomamaDragonBoa

Receba as novidades

do Futebol Por Elas

  • Facebook - Black Circle
  • Twitter - Black Circle
  • YouTube - Black Circle
  • Instagram - Black Circle