1983: nada pode ser maior

Atualizado: Jul 26

Os olhares sonhadores miravam a taça que estava a poucos metros do campo do Estádio Olímpico. Os foguetes e fumaça branca se faziam presentes nas arquibancadas do estádio.


A noite gelada de 28 de julho de 1983 não afastou os mais de 80 mil gremistas que compareceram ao Monumental para a grande final. Mas não era uma final qualquer. Era uma final de Libertadores da América. A primeira vez que a equipe gremista chegava à decisão do maior torneio continental. Uma final contra o Peñarol, time que recebia o rótulo de “melhor time do mundo”, um time copeiro, que já havia sentido o gostinho de ser campeão da Libertadores.


O Peñarol era o atual campeão da Libertadores e do mundo, a tarefa do Grêmio não era fácil. Mas contávamos com dois fatores ao nosso favor: o jogo era na nossa casa e a torcida gremista transformou o Olímpico em um caldeirão azul. O time uruguaio era forte, tinha todo o plantel utilizado na final do Mundial de Clubes do ano anterior, sabia as manhas e de toda a malandragem para sair campeão novamente. Já o Grêmio contava com duas peças fundamentais: a frieza de Hugo De León e a garra gaúcha de conquistarmos a América pela primeira vez. O empate em 1 a 1 em Montevidéu dava ao Grêmio uma vitória simples dentro de casa. Mas jogar e conquistar uma Libertadores no século 20 era uma batalha, não apenas para garantir a classificação no torneio, mas também para tornar-se campeão.


Se os uruguaios eram violentos e apelavam para as agressões, o Grêmio não se intimidava e fez a alegria de sua torcida ainda no primeiro tempo. Em uma jogada construída pela esquerda, Casemiro tabelou com Osvaldo, que encontrou Caio na grande área livre para marcar. Era o gol que dava momentaneamente o título da Libertadores ao Tricolor. A partir daí, a partida ficou movimentada, o Peñarol tentava a todo custo empatar a partida com jogadas rápidas. Jogadas que se repetiram no segundo tempo. E foi em uma dessas jogadas que Ramos sofreu uma falta. O próprio jogador chamou a responsabilidade para si, a cobrança perfeita e a cabeçada certeira do artilheiro Morena empatou a partida. O drama instaurou-se no Olímpico. Psicologicamente falando, a situação estava perfeita ao Peñarol, já que após o gol marcado, a equipe gremista se desestabilizou-se e quase concedeu a virada aos visitantes.


A liderança de De León foi fundamental para que a equipe buscasse o resultado positivo e comemorasse o título dentro de casa. A jogada que culminaria na cabeçada certeira de César iniciou com Tita, que encontrou Renato na lateral. O camisa 7 precisou esticar-se para alcançar a bola, tentou cruzar, porém, Diego interceptou para a lateral. Renato foi o responsável por realizar a cobrança, com um arremesso de mão, encontrou Tarciso. Marcado por jogadores do time uruguaio, restou ao Flecha Negra devolver a bola para o atacante na linha da lateral. O que Tarciso não imaginava era que Renato ficaria sem espaço, marcado por dois jogadores não teria condições para tentar o drible.


O que fazer nesse momento? Deixar a bola sair para lateral e tentar arremessar a mesma na grande área? Ou arriscar um chute cruzado para o alto? A segunda opção pareceu a mais apropriada para Portaluppi. A bola subiu alto e, nesse momento, tudo parecia acontecer em câmera lenta. Por uma obra dos céus, a mesma caiu como uma luva na cabeça de César, que mergulhou no ar e cabeceou em direção ao gol.


Um gol para escrever o nome do Grêmio na Libertadores da América. Uma jogada para consagrar César e a genialidade de Renato. A América se tornava azul, preto e branco. Coube ao caudilho De León levantar a taça. Uma cena que se tornaria emblemática para as próximas gerações.

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