1992: a inesquecível taça do Tricolor do Morumbi

Atualizado: Jul 26

Há 26 anos, o São Paulo faturou o primeiro caneco na Libertadores. O dia 17 de junho de 1992 marcou o pontapé inicial de uma relação de amor entre o clube e a competição sul-americana, após vencerem o argentino Newell's Old Boys por 1 a 0 no tempo normal, e por 3 a 2 nos pênaltis, no Morumbi lotado.

Ninguém imaginaria que o São Paulo levantaria a taça neste ano, pois o técnico Telê Santana priorizava o Campeonato Brasileiro e não mostrava nenhuma empolgação pela Libertadores. A primeira partida do campeonato aconteceu com o time reserva, que terminou derrotado por 3 a 0 pelo Criciúma. Após argumentar que a competição não dava animo e que gosta de ganhar pelo futebol, o técnico foi questionado pela Conmebol e a diretoria do São Paulo conseguiu convencê-lo da importância da Libertadores.

Mas o técnico tinha motivos para não querer focar no torneio, na época denúncias, escândalos, corrupções, acusações de favorecimento e ausência de exame antidoping prejudicavam a imagem da Libertadores. Vale ressaltar que naquele período vivíamos em um mundo sem internet, e a televisão não dava tanta importância para fases classificatórias de alguns campeonatos, portanto a alternativa era acompanhar por rádio.

Diante de todos esses obstáculos e a derrota pelo Criciúma, o São Paulo recomeçou e em seguida enfrentou desafios com a altitude nas cidades de Oruro e La Paz, na Bolívia. Os jogadores foram preparados de acordo com simulações de situações e condições atmosféricas semelhantes às da altitude que enfrentariam. E com a preparação física acabaram nem sentindo a altitude e ganharam o primeiro jogo contra o San José por 3 a 0 e empatou o segundo, contra o Bolívar, em 1 a 1, recuperando a autoestima e a condição de grande candidato ao título.

Com isso, o time de Telê Santana ganhou confiança e deslanchou. No jogo de volta, em casa, contra o Criciúma o Tricolor deu um show de bola com Raí, Muller, Palhinha e Cafu, vencendo por 4 a 0. Os adversários foram caindo um a um. San José, Bolivar, Nacional de Montevidéu, e depois do Barcelona de Guayaquil, a grande final contra o time argentino comandado por ‘El Loco’ Bielsa, o Newell’s Old Boys.

Na primeira partida da decisão, derrota pelo placar mínimo, lá na Argentina. Confiança plena no jogo de volta em um Morumbi fervilhante. Impiedosa, a equipe Tricolor, capitaneada por Raí, não perdoou os argentinos. Mesmo com todo o sufoco imposto, a equipe portenha somente vacilou aos 22 minutos do segundo tempo, quando Gamboa cometeu pênalti em Macedo, um dos grandes destaques no triunfo tricolor.

A jovem promessa do São Paulo entrou no segundo tempo, no lugar de Müller, e logo em sua primeira participação sofreu o pênalti, que Raí cobrou e deu a vitória ao São Paulo, levando o jogo para a decisão para as penalidades. Na série de cobranças o São Paulo contou com uma ajuda incrível: Valdir de Moraes, preparador de goleiros, havia estudado o modo de cobrar dos adversários, e Alexandre, o goleiro reserva, repassou as informações à Zetti. Valdir estudara e anotara cada forma de bater pênaltis dos cobradores argentinos.

Com toda estratégia estudada, o goleiro Zetti brilhou e defendeu o pênalti de Gamboa, e o São Paulo se consagrou campeão da Libertadores de 92, os 105 mil torcedores invadiram o gramado do Morumbi. Os torcedores foram para cima dos atletas e tentaram de todas as formas levar lembranças para casa, como calções, chuteiras, camisas, meiões e até mesmo a rede foi levada como souvenir, assim como pedaços da grama. Sem dúvidas, a taça de 1992 será sempre inesquecível nos corações são paulinos. Adrenalina, festa, emoção e paixão definiram aquele dia na história do São Paulo.

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