A rua é nossa e a várzea é delas

Atualizado: Jul 25

Imagine um grupo de 72 mulheres que vestem camisas diferentes e superam as diversidades por meio de um amor em comum. Agora, pense que existem integrantes das zonas norte, sul, leste e oeste de São Paulo e que todas elas têm como segunda casa o mesmo lugar.

Para frequentar esse espaço não é preciso ser sócia torcedora. Por lá a entrada é liberada, assim como o uso de bandeirões e sinalizadores. Os alambrados, quando existem, são colados ao campo e as torcedoras ficam em pé para não perder nenhum lance.

Na arquibancada há quem torça para o Ratatá, o Coroa, o Lá da Rua, o PS9, entre tantas outras equipes. Também tem as que soltam a voz, as que dão som a festa comandando as batucadas ou as que preferem estar dentro de campo.

Adivinhou? Estamos falando do futebol de várzea, a paixão e a diversão de tantas pessoas em bairros, vilas e favelas do Brasil. Mas se engana quem acredita que esse modelo não tem organização. A prova disso é o grupo Mulheres da Várzea que existe há mais de quatro anos e promove o encontro entre as torcedoras das equipes varzeanas.

O grupo é liderado por Maria Prado, simpatizante da equipe do Boa Esperança, de São Mateus, na zona leste de São Paulo. Ela sempre sonhou em reunir o máximo de mulheres na beira dos gramados ou terrões e promover a confraternização sem que a rivalidade fosse um empecilho na hora de fazer novas amizades.

Fazem parte do grupo presidentes, diretoras, jogadoras e torcedoras das equipes. Elas marcam presença em tradicionais disputas do futebol de várzea paulista, como a Super Copa Pioneer, a Copa da Paz e a Copa do Busão. As meninas também realizam o chamado Encontro de Mulheres onde a diversão é garantida e com direito a samba e muita resenha, mas a meta do grupo é maior.

As participantes se mobilizam quando o assunto é a chamada várzea solidária. Elas já arrecadaram fraldas e cestas básicas para o garoto Matheus e também colaboram nas campanhas do agasalho e do lacre (arrecadação de lacres de alumínio para serem trocados por cadeiras de roda).

Além disso, as integrantes criaram uma marca, que leva o nome do grupo, com o intuito de ajudar a quem precisa. Camisetas e bonés do Mulheres da Várzea são vendidos e grande parte do valor arrecado é utilizado em ações sociais. Prova de que o futebol, seja ele profissional ou amador, e a solidariedade caminham de mãos dadas.

Maria costuma dizer que o grupo não tem uma estrela, pois todas as integrantes fazem parte de uma constelação. Nessa equipe, novas participantes são sempre bem-vindas, como um time que investe porque sabe que terá resultados positivos. Mas se for para vir, que venha com o intuito de agregar e lembrar que a rua é nossa, a várzea é delas e lugar de mulher é onde ela quiser.

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