A dor da tragédia cede lugar a empatia

Atualizado: Jul 26

Em menos de um mês, o mundo do esporte – principalmente o futebol- entrou de luto por duas vezes. Primeiro, vivemos a dor e angústia do acidente aéreo que tirou a vida de Emiliano Sala. O argentino que havia a pouco se transferido para o Cardiff, estava em um avião que desapareceu em meio ao Canal da Mancha. Foram dias torturantes de buscas, e no dia 7, a confirmação de que o corpo do atleta havia sido encontrado, mas o corpo do piloto segue desaparecido. Apenas um dia após o corpo de Sala ser encontrado, o Brasil acordou com a notícia que seria a maior tragédia do Flamengo. Na madrugada do dia 8, um incêndio tomou conta do Ninho do Urubu, CT do rubro-negro carioca e dez garotos, de 14 a 16 anos morreram.

Notícias como essas chocam, machucam, apertam o coração e dão um nó na garganta, seja você amante do esporte ou não. Dói em todos porque muito além do esporte, perdemos vidas, sonhos foram interrompidos e jovens que sonhavam em conquistar o mundo, hoje alcançam o céu. Se existe algo para ser aproveitado dessas situações, é a solidariedade que momentos assim despertam nas pessoas. Nessas horas não existe torcida rival, apenas a vontade de querer ajudar, a agressividade tão presente no âmbito esportivo dá lugar a empatia, e é aí que percebemos que não é só futebol.

Dentro das quatro linhas o que vale é o jogo, ali, naquele momento, é apenas futebol. Mas fora das quatro linhas, onde o futebol se expande em proporções gigantescas, o futebol se torna mais que um jogo, ele é solidariedade, empatia e superação. Quando tragédias acontecem no mundo esportivo, os estádios se silenciam, o torcedor se sente vazio e as bandeiras ficam a meio mastro. Mas a vontade de fazer mais por quem ficou, sempre fala mais alto. Exemplo disso foi a arrecadação de dinheiro através de uma vaquinha online que possibilitou que as buscas pelo corpo de Emiliano Sala fossem retomadas, ou o taxista vascaíno que se habilitou a fazer corridas sem cobrar nada para transportar as famílias das vitimas do incêndio no Ninho do Urubu.

Nesses momentos, mais do que nunca, o futebol mostra sua força, sua grandeza, se mostra o esporte do povo, o esporte do amor, como deveria ser sempre. Hoje, jogos foram adiados em respeito a dor; amanhã jogos acontecerão para mostrar que o amanhã sempre nos traz esperança para viver, para sonhar, para acreditar. Dez jovens morreram e levaram consigo suas ambições, seus sonhos, mas deixaram para nós a vontade de ser melhor, de olhar mais para o próximo, plantaram em nós a semente da empatia e espero que essa sementinha seja regada até florescer, que a superação seja palavra de ordem no esporte e que a violência de lugar a vontade de tornar o futebol, um lugar para todos. A rivalidade sempre irá existir, mas não precisa ser sinônimo de violência.

Em menos de dois meses, nos despedimos de 11 jovens que morreram enquanto tentavam tornar seu sonho, realidade. Emiliano Sala, Athila Paixão, Arthur Vinícius, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Gedson Santos, Jorge Eduardo, Pablo Henrique, Rykelmo de Souza, Samuel Thomas e Vitor Isaías, vocês serão eternamente lembrados por nós e que essa lembrança seja combustível para mudanças. Hoje, o esporte vai dormir com uma tristeza incomum, que não faz o seu feitio, mas amanhã pode ser que finalmente aprenda com seus erros e volte a ser feliz.

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do Futebol Por Elas

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